Direitos Civis
Ontem morreu Rosa Louise Parks, a costureira negra que, em 1º de dezembro de 1955, em Montgomery, Alabama, foi presa, julgada e condenada por conduta tumultuosa e por violar uma lei local, porque se recusou a obedecer à ordem do motorista do ônibus para dar seu lugar a um homem branco. Resultado: a comunidade negra boicotou os ônibus públicos por 381 dias, e os ônibus circularam praticamente vazios, até que aquela lei de segregação foi suspensa. Uma vez ela disse: “Gostaria de ser conhecida como alguém interessada na liberdade, na igualdade, na justiça e na prosperidade para todas as pessoas”.
Hoje é o dia da democracia. Há 30 anos o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, foi preso e brutalmente torturado até a morte nas dependências do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, sucessor da Oban - Operação Bandeirantes). O comandante do 2º Exército, general Ednardo D´Ávila Mello, afirmou no dia seguinte que Herzog tinha se suicidado. O general mentiroso foi demitido pelo Geisel só em 16 de janeiro de 1976, quando o operário Manuel Fiel Filho também “foi suicidado”. São tristes estes “fatos de um passado trágico”. Enquanto acontecia eu estava na Unicamp e aí soube o que se passava de fato no país. Muita gente não sabia disso, porque havia censura. Mas é muito triste constatar que hoje as pessoas, e principalmente os jovens, ainda não sabem o que houve. Há um completo desconhecimento da história recente do país. As pessoas não lêem. E quando o fazem, nem têm idéia de como se comportaram suas fontes de informação naquela época. É impressionante o número de jornalista “meia-colher” escrevendo e falando por aí na mídia. Para terminar: que tal assistir “Vlado – 30 Anos Depois” (João Batista de Andrade, 2005)?

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