As 7 razões da Veja


Em minha passagem pela universidade, uma das lições que aprendi foi questionar as fontes de informação. Primeiro, buscar diferentes fontes. Depois, aprender a identificar qual tendência cada uma delas tem. Informação é poder. Os meios de comunicação geralmente estão concentrados em poucas mãos, que escolhem o que vão informar, de acordo com seus interesses e tendências políticas, filosóficas ou religiosas. É preciso ter cuidado com o que é informado, e preocupar-se com o que não é informado.
O malufismo, sucessor do ademarismo, que tinha a lógica do “rouba, mas faz” é retrógrado e - como dizia uma prefeita – nefasto. No entanto, na época da Paulipetro, criada em 1979 pelo então governador Maluf, este era satirizado diariamente pelo Jornal da Tarde, que era uma edição simplificada do jornal O Estado de S.Paulo. Lembro que o governador era caracterizado em desenho como Pinóquio, e a cada dia seu nariz aparecia maior em primeira página. Claro que a aventura da Paulipetro foi o mesmo que jogar dinheiro público fora, sem falar do possível destino de parte desse dinheiro. Isto era claro para mim. No entanto, eu discordava da forma como isto era informado. Achava e acho que esse jeito de informar não é jornalismo. Não questionava o conteúdo, mas sim a forma. Essa forma está muito mais para panfletagem do que para jornalismo. De qualquer forma, foi interessante notar qual a tendência desses jornais, por seus editoriais e pelas opiniões de seus colunistas.
Esta semana fiquei surpreso e desapontado com a revista Veja. Claramente ela tomou partido com relação ao referendo das armas. Anunciou em sua capa suas sete razões para votar não, e afirmou que a proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos. Na minha percepção, a revista deveria abordar o tema, que é atual, mas de forma isenta e equilibrada, ponderando os prós e os contras para que o público pudesse tomar uma decisão de forma amadurecida. Para mim, quando tomou partido, essa revista perdeu uma grande oportunidade de informar melhor seus leitores. Talvez ela esteja mais sintonizada com seus anunciantes, já que cerca de 40% de suas páginas trazem propaganda, sem contar a Vejinha. Já anunciei aqui minha posição em relação à questão do desarmamento. Mas confesso que acho a questão dos direitos adquiridos um tanto delicada. Assim, comprei a revista, achando que estava obtendo informação para melhor entender essa questão. Engano. Obtive apenas um monte de propaganda e sete argumentos bastante questionáveis a favor do “não”.

Comentários

Anônimo disse…
eu concordo plenamente com voce
apresentar os fatos, os contras eos a favor é o certo
marcia

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