Leitura de domingo
Faltando cinco semanas para o primeiro turno das eleições,
a ‘ombudsman’ tenta explicar por que a Folha não assume uma candidatura, como
sempre fez o New York Times e vem fazendo o Estadão. Desde os tempos da universidade a Folha foi
meu jornal preferido por duas razões.
Sempre foi muito inovador na forma, na diagramação, nas cores etc.. Sempre deu espaço a opiniões diversas. Achei estranho o comportamento
do jornal já em 1992, quando participou da campanha da revista Veja contra Collor,
que tinha sido o queridinho da mídia em 1989.
Mas confesso que só conheci mesmo a Folha depois de 2003, no governo
Lula. Em 2009 em editorial criticando
Hugo Chávez, a Folha usa o termo ‘ditabranda’ para o fascismo que vivemos de 1964
a 1985. Em 2010 sua executiva e
presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Maria Judith Brito, assumiu
a imprensa como partido político. Em
2011, em seu aniversário de 90 anos, a Folha finalmente confessou sua
participação na ditadura militar. Agora,
a Folha em propaganda, para mim política-eleitoral, se diz contra a política econômica. Entre os colunistas, hoje vemos uma Cantanhede
desolada com o desempenho de Aécio nas pesquisas, e o Jânio de Freitas outra
vez brilhante ao mostrar a igualdade dos programas de governo de Aécio e de
Marina: “Um
em dois”.
O Estadão diz que Marina divulga ‘errata’ e reduz apoio à
causa gay, enquanto Malafaia diz que ‘melhorou muito’ o plano de governo dela
após esta mudança. Marina, se eleita, colocará
em xeque o modelo de coalizão e, com base pequena, deverá negociar cada
projeto, dependendo muito do PSDB. O
jornalão destaca que, para Dilma, a democracia não funciona sem partidos e quem
não governa com partidos flerta com autoritarismo.
O Globo destaca que o programa de Marina trará gastos
adicionais de R$95 bi ao ano. E pergunta
se Marina, candidata em metamorfose, é evolução ou incoerência. A urubóloga Miriam Leitão fala em recessão e é
só pessimismo. E os rola-bostas Merval e
Noblat pedem voto útil em Aécio.
O destaque do Jornal do Brasil é a intolerância
racial, que realmente chamou a atenção nesta semana depois do que ocorreu
no jogo Grêmio X Santos. O negro é
considerado ‘macaco’, ‘escravo’ e ‘ladrão’ por enorme quantidade de jovens que
usam o Facebook. Observem que o preconceito
não é dos pais ou dos avós, mas dos jovens!
Os mesmos jovens que ‘brigam’ por mais e melhor educação, mas não
titubeiam um segundo antes de mandar qualquer um tomar naquele lugar.
Nosso pasquim fascista, a Veja, continua como sempre em
sua cruzada contra Lula, Dilma e o PT. Não
tem nenhuma credibilidade, a não ser para seu vil público. Essa revista, que pertence à bilionária
famiglia Civita e ao grupo racista sul-africano Naspers, é o melhor exemplo
daquilo que foi previsto sabiamente por Joseph Pulitzer: “Com o tempo, uma
imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil
como ela mesma”. Veja não merece nenhum
comentário, assim como a revista Época, imprensa rosa.
Em “a nova roupa da velha política”, a IstoÉ afirma que
Marina se apresenta como novidade no discurso, mas para chegar ao poder recorre
a antigas práticas. E mostra os ‘companheiros’
dela: Heráclito Fortes, Roberto Freire e Paulo Bornhausen, ou seja, a parte da
direita que já abandonou Aécio. Destaca
também o fato de que o jovem, sendo um terço do eleitorado, poderá decidir quem
vai comandar o país. Considerando a
ignorância e a alienação desses moços, isto se torna preocupante.
A CartaCapital destaca o que disse Jean Wyllys: “Marina,
você brincou com a esperança de milhões de pessoas”. E revela que em 1970 a ditadura usou armas
químicas (bombas de napalm) no Vale do Ribeira contra a VPR (Vanguarda Popular
Revolucionária) de Carlos Lamarca.
Hoje finalizo com as
palavras de Millôr Fernandes: “A imprensa brasileira sempre foi canalha. Eu
acredito que se a imprensa brasileira fosse um pouco melhor poderia ter uma
influência realmente maravilhosa sobre o País. Acho que uma das grandes
culpadas das condições do País, mais do que as forças que o dominam
politicamente, é nossa imprensa. Repito, apesar de toda a evolução, nossa
imprensa é lamentavelmente ruim. E não quero falar da televisão, que já nasceu
pusilânime”.
P.S.: O blog da vez é o Viomundo,
do Azenha. É indispensável para que a gente
fique imune às falcatruas da máfia da grande imprensa.


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