Golpe Nosso de Cada Dia
Ler os jornalões no domingo não nos deixa esquecer: entra
ano, sai ano, décadas se passam, e a mídia continua golpista aqui no Brasil. Basta
comparar o comportamento da Folha, do Estadão e de O Globo. Há 51 anos eles apoiaram o golpe fascista de
1964 e hoje apoiam o movimento golpista contra a presidenta democraticamente
eleita. As mesmas famílias que sempre
tiveram o monopólio da comunicação o usam para manipular a opinião pública em
prol de seus interesses. Mesmo aqueles
que não leem jornais por imaturidade, deficiência cognitiva ou alienação estão
hipnotizados pela mídia na medida em que se “informam” por meio de fofoca, “achismo”,
spam e não-notícias. A grande mídia
eventualmente tem um código de ética jornalística, mas é o tal do “me engana
que eu gosto", já que não é isenta, plural, apartidária e independente
como apregoa mentirosamente. Veríssimo sintetiza tudo isso ao dizer que “às
vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data”.
Ao coxinha que imagina que a gente exagera quando chamamos
esta mídia de PiG, partido da imprensa golpista, sugiro ler qualquer dia as
seções de opinião dos jornalões. Hoje
mesmo se você ler com atenção e senso crítico as seções de editorial e tendências
e debates da Folha, vai perceber como esse jornalão dá uma no cravo e outra na
ferradura, morde e assopra, mas não esconde seus reais interesses, como fez
quando deu apoio logístico à ditadura militar que chamou carinhosamente de “ditabranda”
e sua dirigente confessou que era a mídia que fazia oposição no país.
Hoje o Estadão, em editorial, defende a farra dos institutos
de pesquisas eleitorais, em nome da liberdade de expressão e de
informação. Também chama de “cinturão
vermelho” os redutos petistas da periferia paulistana. As colunas da Dora Kramer e da tucana Eliane
Cantanhede, entre outras, ilustram bem o conservadorismo do Estadão, o que não
é nenhuma novidade. Aliás, novidade mesmo
foi a matéria da revista Piauí sobre a rádio Jovem Pan: a
nova sinfonia paulistana. A Jovem Pan virou porta-voz da extrema-direita ao
dar voz apenas aos conservadores.
O destaque de O Globo hoje é que “documentos mostram que
Lula fez lobby no exterior”. É
sério. A mesma Globo que defende as empreiteiras
estrangeiras para a exploração das nossas riquezas, diretamente em editoriais e
também através de Ricardo Noblat, Merval Pereira, Miriam Leitão e outros da
mesma linha editorial.
Outro dia um coxinha me perguntou: “então, você não lê
nenhum dos jornalões?”. Respondi que, ao
contrário, procuro ler todos. Sim, isso
me dá condições objetivas de critica-los.
É preciso conhecer os que controlam as comunicações para saber o que
eles pensam e tramam. E ficar atento.



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