Leitura de domingo
A Folha continua dissimulada. Morde e assopra. Dá uma no cravo e outra na
ferradura. Mas o pasquim da famiglia Frias, que apoiou logística e
ideologicamente a ditadura, a qual chamava carinhosamente de ‘ditabranda’, não
engana mais ninguém; espero. Hoje a
manchete principal é: ‘Choque de gestão’ de Aécio em MG teve efeito
limitado. Fica em cima do muro com a
Mônica Bergamo: antipetismo causa separação (‘divórcio ideológico amigável’) de
dupla de Fernando Meirelles. Repare que
o título não cita o nome do fotógrafo uruguaio César Charlone, incomodado com o
ódio de classe surgido das sombras contra o PT.
O que salva a edição é, como sempre, a coluna do Janio de Freitas,
mostrando o que é a ‘elite financeira’ e o sobe e desce da Bolsa: uma
eleição de muitos.
O Estadão, pasquim da famiglia
Mesquita, destaca que ‘Dilma prepara novo pacote de tributos para agradar a
empresários’ e que ‘Aécio aceita parte das bandeiras de Marina’, deixando a
redução da maioridade penal de fora e recebendo carta de apoio da viúva de
Campos. O Estadão, como toda a mídia
golpista, escolhe o que, como e quando informar ou não. Retiraram até do Internet Archive a matéria
encomendada pelo Zé Bolinha Çerra em que insinuaram o hábito de aspiração do
playboy AE5, intitulado “Pó pará, governador?”.
O Globo, mais serelepe que a Cantanhede (da Folha e do
PSDB), diz que ‘Aécio espera ter hoje o apoio de Marina’, e que ‘Dilma quebra
promessa e ataca tucano’ ao lembrar mensalão tucano, caso Alstom em SP (trensalão)
e que vazamento seletivo de caso Petrobras é eleitoreiro. E aí continuam os mesmos os ‘calunistas’
Merval Pereira, Ricardo Noblat e Míriam Leitão, entre outros. Ou seja, a organização da famiglia Marinho continua manipulando
você.
A revista Época, imprensa rosa da Globo, é só material de
campanha do AE5, com o candidato da direita na capa dizendo cinicamente que ‘o
governo dele será o governo dos pobres’ e que ‘não se sente obrigado a disputar
um segundo mandato’. A propósito, a reeleição
foi comprada pelo PSDB, lembra?
Mais serelepe que O Globo e a Cantanhede está a Veja,
folhetim da famiglia Civita. E, como o Facebook, fedorenta também, com seu
‘caminho aberto para Aécio, o fator surpresa que ganhou mais 30 milhões de
votos de um dia para outro’!
A IstoÉ, que virou totalmente à direita, estampa que a ‘campanha
de Dilma (está) sob suspeita’ e despudoradamente ‘mostra que o tucano abriu 17
pontos sobre Dilma’ em pesquisa do Instituto Sensus. Cabe lembrar que Sensus/IstoÉ
é empresa de Clésio de Andrade, ex-vice de Aécio, e réu no mensalão tucano.
A única revista semanal que se salva ainda é a CartaCapital,
que faz a síntese do momento: ‘estão em disputa dois projetos opostos de
Brasil, o futuro versus o passado’.
Outros destaques são: ‘Erundina: apoio a Aécio é vexatório’ e ‘Sururu no
ninho tucano’. A exemplo da França,
parece que o Brasil também descamba para a direita. Tomara que não.
Como disse Malcolm X: “A imprensa é tão poderosa no seu
papel de construção de imagem que pode fazer um criminoso parecer que ele é a
vítima e fazer a vítima parecer que ela é o criminoso. Esta é a imprensa, uma
imprensa irresponsável. Se você não for cuidadoso, os jornais terão você
odiando as pessoas que estão sendo oprimidas e amando as pessoas que estão
fazendo a opressão.” E vale complementar com Joseph Pulitzer: “Com o tempo, uma
imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil
como ela mesma”.
Não é um blog, mas é meu destaque hoje o media watch website Observatório da Imprensa,
porque com ele ‘você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito’.

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