A Resposta do Povo
Bem, desculpem-me os eleitores do candidato da direita, mas acho que agora preciso explicitar meu voto. Quem já leu alguns de meus posts sobre política, embora não sejam muitos (nem os posts nem os leitores), deve ter percebido que meu pensamento político poderia ser classificado como de esquerda. Hoje creio ser antes de tudo um democrata. Nos anos de chumbo, quando freqüentei a Unicamp e depois a USP, identifiquei-me com a esquerda política, que naquele momento lutava pela redemocratização do país, ao lado de setores da Igreja Católica, de movimentos populares, de operários, de estudantes e de parlamentares do MDB. Esse foi meu berço político. Foi nesse momento que descobri o Brasil de verdade, porque a propaganda oficial era de que éramos um país que "ia pra frente" e que devíamos "amá-lo ou deixá-lo". Assim, embora particular e felizmente não tenha tido nenhum parente ou amigo próximo que tivesse desaparecido pelas mãos dos agentes do regime, tenho certa ojeriza àqueles que por ação ou omissão contribuíram com a ditadura militar. Alguns podem achar que estou sendo repetitivo. Surpreendo-me diversas vezes com gente jovem que desconhece completamente a história recente do país e por isso faz escolhas baseadas num misto de ignorância, preconceito e hipocrisia. Aí recorro novamente a Rui Barbosa (1849 - 1923), que disse que "um país sem memória não é apenas um país sem passado - é um país sem futuro". É triste ver gente que desfruta da democracia, mas que vota naqueles que, ao ver seus interesses comprometidos, agiram ou estiveram ao lado dos que agiram contra essa mesma democracia.
Concordo que muitos democratas erraram, colocaram as mãos na sujeira, frustraram as nossas expectativas, misturaram-se aos porcos de Orwell ou deixaram de representar o povo para representar a si mesmos e suas pretenções de poder. E por isso serão julgados, mais cedo ou mais tarde, pela justiça ou pelas urnas. Mas não será por isso que vamos virar a casaca, desertar e correr para o lado daqueles que nuncam foram democratas. Não convém desanimar-se da honra, desistir das virtudes, deixar para trás o sonho e os ideais. Poderão dizer que somos sonhadores, mas não somos os únicos, nem poucos.
Não ficou claro? Eu voto em Lula, de novo.
Concordo que muitos democratas erraram, colocaram as mãos na sujeira, frustraram as nossas expectativas, misturaram-se aos porcos de Orwell ou deixaram de representar o povo para representar a si mesmos e suas pretenções de poder. E por isso serão julgados, mais cedo ou mais tarde, pela justiça ou pelas urnas. Mas não será por isso que vamos virar a casaca, desertar e correr para o lado daqueles que nuncam foram democratas. Não convém desanimar-se da honra, desistir das virtudes, deixar para trás o sonho e os ideais. Poderão dizer que somos sonhadores, mas não somos os únicos, nem poucos.
Não ficou claro? Eu voto em Lula, de novo.

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