Lightyear - proibido para conservadores

 


Não é meu costume assistir a estreias e, por isso, só no dia seguinte fui ver “Lightyear”, do Angus MacLane, pela Pixar, subsidiária da Disney.  MacLane também dirigiu “Procurando Dory" (2006) junto com Andrew Stanton, diretor de “Procurando Nemo” (2003), “Wall-E” (2008) e “John Carter: Entre Dois Mundos” (2012). “Lightyear” seria o filme sobre as aventuras ao infinito e além do patrulheiro espacial Buzz Lightyear, cujo boneco o menininho Andy, de “Toy Story” (John Lasseter, 1995), ganhou de presente depois de assistir. Resumindo o filme, Buzz é o próprio patrulheiro, em carne e osso, que durante muitos anos tenta voltar para casa e, para isso, ao final tenta recuperar uma fonte de combustível roubada por um exército de robots comandados pelo vilão Zurg. A ideia aqui não é fazer uma resenha ou uma crítica do filme, mas destacar algumas características, listadas a seguir.

No início, Buzz é autoconfiante, marrento, arrogante, presunçoso, convencido, individualista e dispensa ajuda, seja de recrutas, seja de piloto automático. Por causa disso, ao tentar sair de um planeta hostil, ele comete um erro que determina o futuro de si próprio e de milhares de pessoas.  Nesse momento é interessante observar que ele só errou porque tentou fazer uma boa ação.  Não teria errado se tivesse optado por não fazer nada.  Ficou decepcionado consigo mesmo, mas depois de tentarem consolá-lo dizendo que tinha sido “apenas um erro” e que seria possível adaptar-se às consequências, ele teimosamente tenta reparar o erro.

O filme faz referências a diversas obras de ficção científica, como as séries de TV e cinema “Guerra nas Estrelas”, “Alien”, “Jornada nas Estrelas” e até “Interestelar” (Christopher Nolan, 2014) e aborda o conceito da dilatação do tempo, prevista na teoria da relatividade geral do físico Albert Einstein (1905).  No filme, enquanto Buzz gastava minutos nas tentativas de ganhar confiança e consertar seu erro, passavam-se anos na vida das pessoas prejudicadas – de certa forma, seus clientes.

No final, além de aceitar o trabalho em equipe, Buzz precisa lutar contra si mesmo e tomar uma decisão diante de um dilema.  Para não ser ou não praticar spoiler, não revelarei aqui mais nenhum detalhe, exceto um que causou a censura do filme em 14 países, e que descrevo a seguir.

Acredite se quiser, mas uma cena de “Lightyear” chegou a ser cortada pela Disney, atendendo a solicitação de conservadores, mas acabou sendo preservada após protestos da equipe da Pixar.  Imagine que a Pixar cometeu o crime de colocar uma mulher negra como astronauta, a patrulheira espacial Izzy Hawthorne, amiga de Buzz. E pior: inseriu uma breve cena em que ela dá um beijo na companheira escolhida para constituir família.  Observe a lista dos países que castigaram esse pecado e tire suas conclusões.

 

Referências para os conservadores:

- em termos de felicidade, Brasil, Estados Unidos e Israel estão nas seguintes posições: 34, 19 e 12, respectivamente. Neste índice os campeões têm sido Finlândia (1) e Dinamarca (2), os países mais felizes e civilizados do mundo.

- em termos de liberdade econômica, Estados Unidos e Israel são majoritariamente livres enquanto o Brasil é majoritariamente não livre.

- em termos de liberdade de imprensa, Brasil e Israel têm problemas notáveis.

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