Era da Informação ou do Obscurantismo?

Você já se perguntou por que em plena Era Digital ou Era da Informação existe tanta alienação, servidão e ignorância?  Talvez a resposta mais simples seja que informação não é conhecimento e, muito menos, comunicação. 

Costumo dizer que apenas ler, ouvir, ver, assistir são ações passivas que não são suficientes para o completo aprendizado.  Resumem-se à recepção de informações, ao consumo de conteúdo, à percepção apenas.  Para o aprendizado são necessárias ações ativas como escrever, falar, criar e transmitir conteúdo como consequência de reflexão, análise e senso crítico.  A informação é como um alimento que não deve ser apenas engolido, mas que também precisa ser digerido, absorvido e seus resíduos precisam ser eliminados.  A informação que recebemos pode ter erros e omissões intencionais ou não, e para detectar essas falhas é necessário um órgão que está em desuso atualmente: o cérebro. 

Como diz o professor português José Pacheco Pereira, “nada é mais significativo e deprimente do que ver pessoas que estão juntas, mas que quase não se falam, e estão atentas ao telemóvel”.  Em tempo, telemóvel significa telefone celular, smartphone, nesse contexto.  Acredite se quiser, mas há pessoas, e não apenas crianças e adolescentes, que não largam o celular nem quando vão ao banheiro ou para a cama.  São pessoas que não conseguem ficar sequer alguns minutos sem consultar o celular em uma busca frenética por mensagens existencialmente vazias, superficiais, supérfluas, inúteis, praticamente sem conteúdo e consistindo apenas de forma e aparência. Paradoxalmente a essa obsessão por “informação”, essas pessoas não entendem que a comunicação, para ser um diálogo, precisa de resposta, retorno, feedback, evidências de atenção, consideração e respeito ao próximo.  Na prática, o próximo é aquele que está mais distante.  No fundo, essas pessoas estão sempre solitárias, mesmo no meio de uma multidão.  A propaganda e as redes sociais as mantêm “a salvo” de si mesmas e das pessoas que acham que gostam ou simplesmente as rodeiam. 

É interessante observar que antigamente a ignorância era grande e devida à falta de acesso às informações, enquanto que hoje em dia a ignorância é maior graças ao excesso de informações! Por causa do bombardeio incessante de informações, as pessoas não têm tempo, nem hábito, de separar o trigo do joio, e se prestam a difundi-las automaticamente como se fossem mulas de memes.  Não pensam, mas simplesmente compram qualquer coisa ou acreditam em qualquer coisa.  A desastrosa consequência imediata é se ver barata aplaudindo e chamando chinelo de mito. Pior é constatar que cristãos continuam escolhendo nazistas como líderes em todos os sentidos. 

O profeta Isaías estava certo quando advertia sobre as mentes fechadas e entorpecidas, das pessoas que vendo não enxergam, e escutando não ouvem, cujos corações petrificados não entendem e não compreendem. Como na alegoria de Platão, essas pessoas preferem viver aprisionadas às sombras, temendo a iluminação fora da caverna.

Lembrando-me da minha primeira professora na escola, a dona Ametista, acariciando meu primeiro dicionário, o Dicionário Escolar das Dificuldades da Língua Portuguesa, e levando em conta que um professor foi preterido por um miliciano em 2018, encontrei o vídeo a seguir, que é exclusivo para os que têm escolaridade mas não têm cultura, aos que nada aprenderam. É claro que não é o seu caso.



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