O orçamento secreto, a cantora e o guerrilheiro - leitura de domingo


A primeira semana de novembro praticamente resumiu-se a três dias: quarta (3), quinta (4) e sexta (5), mas dá a impressão de que ainda não acabou.

Na madrugada de quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno a PEC 23, proposta de emenda à constituição chamada de PEC dos Precatórios com folga de apenas 4 votos após manobras do presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL), que fielmente a Bolsonaro usou 1 bilhão para comprar deputados, inclusive da oposição: 10 do PSB e 15 do PDT.  Neste último caso, o "coroné" Ciro Gomes ameaçou suspender a candidatura à presidência caso os pedetistas não voltem atrás até o segundo turno, que deve ocorrer na próxima semana.  Essa PEC do calote tem o objetivo de furar o teto de gastos, financiar o programa eleitoreiro apelidado de Auxílio Brasil e, claro, turbinar a campanha do miliciano à reeleição no ano que vem.

No dia seguinte, sexta-feira, a ministra do STF Rosa Weber suspendeu a execução de emendas do "orçamento secreto", as emendas de relator que totalizam mais de 18 bilhões.  Convém lembrar que 3 bilhões já tinham sido distribuídos pelo governo nazifascista no escândalo do "tratoraço", equivalente a 30 mensalões e estranhamente não causou indignação à classe média hipócrita e sonegadora.

No mesmo dia à tarde, morreu a cantora Marília Mendonça no acidente aéreo que até agora não saiu do noticiário nacional e internacional.  Confesso que não a conhecia porque não sou fã de música sertaneja contemporânea, mas passei a admirá-la ao tomar conhecimento de que ela vinha revolucionando a música sertaneja, tradicionalmente masculina, tornando-se líder do movimento feminejo, lutando contra diversos preconceitos como a misoginia e até a gordofobia.  Cabe lembrar que em 2018, incentivada pela Maria Gadú, a Marília integrou o movimento #EleNão na tentativa de evitar a eleição do nazifascista miliciano.

No dia anterior, 4, com atraso de dois anos depois da première em Berlin e apesar da má vontade da ANCINE e da campanha bolsonarista para dar notas baixas ao filme no IMDB, foi a estreia nacional de Marighella, primeira direção de Wagner Moura, com Seu Jorge no papel de Carlos Marighella, líder da resistência ao golpe de 1964 pela ALN (Ação Libertadora Nacional), covardemente assassinado em 1969 pelos agentes do estado, os torturadores ídolos de Bolsonaro.  Fui vê-lo hoje e saí emocionado com as palmas da plateia no fim do filme, em uma sala quase cheia de um cinema de shopping center de Santo André.  E saí com vontade de reler e terminar a leitura do livro do Mário Magalhães, "Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo".

  

    

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