Qual é a sua opinião?


Talvez a história da humanidade possa ser melhor compreendida ao resumirmos todos os seus aspectos em três conceitos: pessoas, fatos e ideias.  Consta que um provérbio chinês afirma o seguinte: o medíocre fala de pessoas; o comum fala de fatos; e o sábio fala de ideias.  O pobre de espírito sempre aponta o dedo às pessoas e adora fofocas.  O alienado está sempre interessado em acontecimentos, e infelizmente estão na moda as narrativas, as fake news, os “fatos alternativos”, a pós-verdade.  O consciente sabe a importância das ideias, do pensamento, da palavra, da cultura. 

Ideias e opiniões são fundamentais e não precisam necessariamente serem respeitadas, como alegam os fanáticos.  As pessoas, sim, devem sempre ser respeitadas.  As pessoas não podem ser julgadas e punidas por aquilo em que acreditam.  O credo deve ser obrigatoriamente livre.  Mesmo erroneamente atribuída a Voltaire, a seguinte frase ilustra bem isto: “Não concordo sequer com uma palavra do que você diz, mas vou defender até o fim o seu direito de dizê-la”.  As pessoas são o veículo das ideias, externadas através da opinião verbalizada e das ações, da atitude, do comportamento.  Quem acredita em absurdos, pode cometer atrocidades.  Por isso, a sociedade civilizada pode e deve punir as ações criminosas e, inclusive, falas que induzam a crimes.  Exemplo: você pode achar que o Congresso e o STF devem ser fechados - até aí é apenas sua forma de pensar.  Você tem todo o direito de ter essa opinião e até externá-la, desde que não promova ou incite a violência ou qualquer crime.  Ideias são livres.  Fatos, atitude, comportamento, não.  Se você acredita que os ímpios ou infiéis devem ser queimados na fogueira, isto é apenas sua opinião, à qual você tem todo o direito, mas que não precisa necessariamente e obrigatoriamente ser respeitada.  Respeito ao seu direito de pensar o que bem entender, sim.  Mas respeito ao que você pensa, não. Por que respeitar o preconceito, o fanatismo, o nazismo ou o estalinismo?  Mas se você tentar queimar as pessoas ou incitar os seus pares menos covardes a fazê-lo, então tais fatos devem ser julgados.  Consequentemente o veículo desses fatos, ou seja, as pessoas envolvidas devem ser punidas de acordo com as leis.  E no mundo civilizado, na democracia e no estado de direito, isto implica em cerceamento da liberdade, mas não linchamento, enforcamento, pena de morte ou qualquer ato tão bárbaro quanto os que foram julgados.


A nossa classe média, que geralmente não sabe interpretar sequer o texto do evangelho, pode até se achar cristã e, hipocritamente, desejar intensamente a repressão e a intolerância aos “infiéis” através de policiais, de militares, de milícias, de esquadrões da morte, de suas bancadas da bala e da bíblia. Por negarem a ciência e acreditarem em absurdos, acabam cometendo atrocidades.  Algumas delas: servir de vaquinha de presépio para os conservadores e liberais golpistas, pedir intervenção armada e golpe, eleger nazistas e fascistas na esperança de substituir a democracia pela teocracia.  

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