Os Sete de Chicago e Danton
Ontem tive a oportunidade e a sorte de assistir um bom filme
na Netflix: “Os 7 de Chicago” (The Trial of the Chicago 7), dirigido por Aaron
Sorkin em 2019 e publicado no ano passado.
Embora o filme faça referência aos protestos contra a intervenção
militar no Vietnã, de onde os americanos saíram derrotados após longos oito anos
(1965-1973), o julgamento tendencioso e parcial de oito manifestantes me fez
lembrar o golpe de 2016.
Aqui, aos poucos essa verdade vem sendo revelada: as Forças
Armadas pressionaram juízes, procuradores e “300 picaretas” do Congresso, em
conluio com a mídia sonegadora, “em um grande acordo nacional com o supremo e
com tudo”, para tirar Dilma da presidência e evitar uma nova eleição de Lula,
abrindo caminho para a extrema direita.
Depois do julgamento dos sete de Chicago, que durou cinco
meses, o juiz Julius Hoffman foi considerado como desqualificado, lembrando bem
o juiz Sergio Moro, também conhecido por “Russo” e “Marreco de Maringá”, que
orientou os procuradores e, entre eles, Deltan Dallagnol, nos processos contra
Lula. Anos depois de uma atuação parcial
no caso Banestado, poupando o tucanato, o juiz escandalosamente aceitou ser
ministro da Justiça no governo nazifascista e miliciano de Bolsonaro. Era para ser indicado a uma vaga no STF, mas
discordou do pedido do chefe para proteger os filhos celerados (Flavio, Eduardo
e Carlos), sendo por isso demitido.
Os tribunais de exceção, tanto do juiz Hoffman no caso dos sete de Chicago como do juiz Moro no lawfare contra Lula (lembrando o caso Dreyfus), são bem retratados no filme “Danton – O Processo da Revolução” (Danton, 1983) do Andrzej Wajda, imperdível.

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