As Lindinhas e a Malícia de Quem não Viu o Filme

 

Toda ditadura que se preza promove uma revolução cultural.  Assim como em toda guerra a primeira vítima é a verdade, em toda ditadura a primeira vítima é a cultura.  Quem faltou às aulas de História não sabe que em 1968 os fascistas do CCC invadiram o Teatro Ruth Escobar onde se encenava a peça “Roda Viva” de Chico Buarque, espancaram atores, destruíram o cenário e obrigaram Marília Pera, André Valli e Rodrigo Santiago a passarem nus por um corredor polonês. Hoje a fogosa sinistra Damaris Alves, a Danada Alves do Gustavo Mendes, tentou censurar, suspender, tirar do ar o filme “Cuties” (Mignonnes, no original francês).

É interessante observar como os conservadores estão sendo mais eficientes, ou estão colocando mais dinheiro, na manipulação das pessoas comuns nas redes sociais.  Basta observar os sítios especializados em crítica cultural, em que há um abismo entre a avaliação intelectual, especializada, e a avaliação popular, das pessoas que só abrem jornais nas sessões de esportes e entretenimento. Sobre o filme da franco-senegalesa Maïmouna Doucouré, premiado no Sundance Film Festival, o Metacritic dá nota 68 (verde), enquanto o usuário dá 0,7 (vermelho). O Rotten Tomatoes dá 85% pela crítica e 14% pelo usuário.   O IMDb reflete a campanha difamatória da direita contra o filme, dando nota 2,7 apenas.

De fato, o marketing da Netflix cometeu um grande erro ao elaborar um cartaz ruim do filme, que acabou instigando os falsos moralistas a boicotarem o filme aludindo incentivo à pedofilia.  Consequentemente, a classe média ignorante, hipócrita e preconceituosa, o falso cristão, sem sequer ver o filme atendeu à manipulação fascista, como vaquinha de presépio, ratos de Hamelin.  De fato, a malícia está nos olhos de quem NÃO vê, neste caso. É a turminha isenta do Facebook, do Whatsapp e outras mídias imbecilizantes, aquela que escolheu o bandido pé-de-chinelo associado às milícias que se hospeda no Planalto.

Fiz questão de ver o filme.  Sinceramente, não vi nada demais além do que já ocorre de fato hoje em dia.  Não é nenhuma novidade que existe uma tendência de marketing e comercial de adultização da criança.  O filme não tem outra intenção senão mostrar o que o mercado deseja: aumentar as vendas incluindo as crianças como clientes.




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