Católico? Eu?
Lula, o candidato odiado por uma parcela da classe média
cristã (hipócrita e preconceituosa), é mesmo um fenômeno: fez um agnóstico ir a
uma missa campal no sábado e, pior, fez um santista torcer pelo
Corinthians no domingo!
Mas, voltando à questão ideológica, o passado já confirmava a minha inclinação
pelo catolicismo. Tive a oportunidade de viajar muito. Nesses
interiores do Brasil, sempre tive o costume de subir nos morros com
cruzeiro. É verdade, já me perguntaram por diversas se eu estava pagando
promessa. Que nada! Sempre gostei de vistas panorâmicas. Tenho medo
de altura, mas confesso que a altura funciona como um imã para mim. No
Velho Mundo, era um tal de subir escadarias de torres que dá até cansaço de
lembrar. Além disso, não sei se por causa da animação
"Fantasia", ou "Aprendiz de Feiticeiro", não me lembro
direito, tenho a mania de visitar catedrais que têm órgão de tubos - o som
deles é algo de juntar Jesus, Maria e José.
Não bastassem essas esquisitices acima mencionadas, em março de 2014, o papa
Francisco disse que 'os pecados da mídia são desinformação, calúnia e
difamação'. Bem, se eu já admirava esse homem, imagina então como
considero o nosso primeiro papa latino-americano (e jesuíta), ainda mais que
sucedeu aquele papa nazista, o Bento XVI.
E sábado último o bispo Dom Angélico Sândalo Bernardino disse: 'Houve um golpe.
50% quando tiraram a Dilma e 50% quando impediram você, Lula, de ser
candidato". Maior clareza, só desenhando! Ele pensa exatamente
o que eu penso! Todo mundo sabe, ou deveria saber, que essa 'campanha
contra a corrupção' não é e nunca foi séria; e surgiu apenas como argumento da
direita para voltar ao poder. O golpe, engendrado em 2013, tinha a
finalidade de impedir a reeleição da Dilma em 2014. Ela não deveria
concorrer. Se concorresse, não poderia ser eleita. Se eleita, não
poderia tomar posse - lembra que os derrotados pediram para recontar até 'votos
de Feliz Natal e Ano Novo'? Brincadeira. Mas, sério, lembra-se do
primeiro discurso do playboy no Senado? Foi a senha para que
Dilma, uma vez eleita e tomado posse, não governasse. Depois vieram a farsa
das pedaladas (que todos presidentes e governadores praticaram) e o golpe do impeachment.
Em seguida, a próxima etapa do golpe era impedir de qualquer maneira a
candidatura Lula, o que praticamente se concretizou agora. Mas o golpe só
terá seu final caso a direita ganhe as eleições neste ano. Há muito
dinheiro envolvido nisso, já que a direita não ganha nada importante, jogando
limpo, há 20 anos. É interessante como a História se repete: nos anos 60,
Juscelino Kubitschek, outro grande presidente (ao lado de Lula e Getúlio), foi acusado por ter ido morar num apartamento novinho em Ipanema (na Vieira Souto,
Rio), foi perseguido pela ditadura e finalmente assassinado pelos aloprados em
1976. Será que os falsos cristãos farão o mesmo com Lula, daqui para a
frente?
Bem, mas a ideia era falar da minha reaproximação com a Santa Sé, para talvez
me religar, quem sabe? Aliás, devo lembrar que sou fã do
Evangelho. Desde cedo curti (e compartilhei) o que Jesus disse - 'Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Pois mais
fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no
reino de Deus'. Gosto muito do Novo Testamento sem a parte paulina -
acho que o apóstolo Paulo, um fascistóide, estragou o cristianismo. Mas
isso é tema para outra ocasião.

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