Dia de Vergonha e Dia de Covardia
Em menos de
um ano e meio, o Brasil teve seu segundo Dia da Vergonha, nesta última
quarta-feira, dois de agosto. A Câmara dos Deputados optou pelo arquivamento da
denúncia de corrupção passiva contra o presidente ilegítimo Michel Temer
(PMDB/SP). Votaram unanimemente pelo não
ao arquivamento apenas PT (58 votos), PCdoB (10), PSOL (6), REDE (4) e PMB
(1). Pela ordem, os partidos que mais
contribuíram com Temer (ou foram comprados): PMDB (53 votos), PP (37), PR (28),
DEM (23), PSD e PSDB (22); ou seja, a direita, que se dizia contra a corrupção,
agora disse que estabilidade é mais importante e corrupção não é mais um
problema. Os partidos que votaram contra
Temer foram os mesmos que votaram unanimemente contra a reforma trabalhista
patrocinada pelos patrões. O PDT tem um
reacionário em suas fileiras, e o PSB está dividido, lamentavelmente. Todo desinformado, que acredita que partido e
político é tudo igual, deveria saber que a diferença é cristalina quando se
vota temas de interesse nacional.
Dessa vez
tivemos novidades interessantes.
A classe
média não bateu panela, mas quer o fim do governo... da Venezuela!
A maioria
da bancada evangélica votou a favor de Temer alegando que foi guiada por
Deus. Em outras palavras, pastores
picaretas, que enriquecem à custa da fé popular, não se importam com a
corrupção ou se o vampiro é satanista ou não.
E a TV Globo,
pela primeira vez, cancelou novelas e Jornal Nacional - portanto em um dia de
semana - para transmitir ao vivo a votação, mesmo perdendo audiência, uma vez
que decidiu desembarcar do golpe que apoiou – não sei se por causa da queda da
verba publicitária ou da popularidade do governo. O mais cômico, e trágico, é
que Ali Kamel, o diretor de jornalismo da Globo, que decretara não haver
racismo no Brasil, e que anda às turras com os jornalistas da Folha, dois dias
depois disse que “a Globo faz jornalismo, não faz campanha, nem contra nem a
favor, em respeito ao público”. Ou seja,
mente descaradamente. Qualquer estudante
de jornalismo sabe - ou deveria saber - que jornalismo não é só jornalismo, mas
principalmente negócio.
Não poderia terminar sem lembrar que hoje fazem 72 anos que Hiroshima e cerca de 130 mil alvos civis foram alvos de armas nucleares ianques.


Comentários