Clevelândia e O Lagosta
Nas últimas
duas semanas estive em Cleveland, também conhecida por Clevelândia, que é uma
cidade situada no condado de Cuyahoga, Ohio, Estados Unidos, com cerca de 400
mil habitantes e uns 2 milhões na região metropolitana. Ao redor do centro, denominado Downtown,
ficam os bairros pobres e, na periferia e subúrbios, os bairros ricos.
Há muitas obras em andamento e o trânsito
é pesado na hora do rush. Virtualmente
todo mundo tem carro. Só há transporte público em Downtown, e na área restante,
imprópria para pedestres, é raríssimo ver um taxi. Há diversas cervejarias, como a Great Lakes Brewing Company. Sem saber que a cidade é a campeã em roubo (primeira em burglary e segunda em robbery), segunda em estupro (rape), terceira em incêndio culposo (arson) e sétima em crime violento nos Estados Unidos (16 casos a cada 100 mil habitantes em 2014, o dobro de São Paulo), os vira-latas ficam extasiados
com o Rock and Roll Hall of Fame and Museum e os estádios de baseball, futebol
americano, basquete e hóquei no gelo em Downtown, além dos “shopping malls” nos subúrbios. Contudo, em minha
percepção, o melhor da região é o Lago Erie e o Parque Nacional do Vale de Cuyahoga,
onde nossos coxinhas não costumam ir, talvez porque nestes lugares não haja
nada para comprar.
O lago está
entre o estado de Ontario (Canadá) e os estados americanos de Ohio, onde está
Clevelândia, Pensilvânia e Nova Iorque, onde estão as Cataratas do Niágara,
entre as cidades também chamadas Niagara Falls (a americana e a canadense). As águas do lago Erie vêm do rio Detroit e
desembocam ali através do rio Niágara. Embora não sejam tão numerosas quanto as
cataratas do Iguaçu, vale a pena conhece-las também.
O parque
nacional pode ser acessado pelos subúrbios Independence e Valley View, onde
fica o restaurante italiano LockKeepers,
um verdadeiro oásis na gastronomia local, entre o histórico canal Erie e o rio
Cuyahoga. O nome se refere à guarda das chaves das comportas do canal
abastecido pelo rio.
Clevelândia
é a cidade natal de Wes Craves, diretor de “A Hora do Pesadelo” (A Nightmare on Elm Street;1984), “Pânico”
(Scream; 1996) e “Paris, Te Amo” (Paris, je t’aime; 2006), este último
dirigido junto com os irmãos Coen e diversos outros diretores. E, por falar em
cinema, finalizo registrando que o melhor da viagem foi a volta, vendo abordo o distópico
“O Lagosta” (The Lobster; 2015), do grego Yorgos Lanthimos, que também dirigiu “Dente
Canino” (Kynodontas; 2009). Uma dica
à classe média ignorante: bons exemplos de ficções distópicas são “1984” do George
Orwell e “Admirável Mundo Novo” do Aldous Huxley. O primeiro virou filme em 1956 (dirigido por Michael
Anderson) e em 1984 (dirigido por Michael Radford). “V de Vingança” (V for Vendetta; 2005) dos irmãos Wachowski, de “Matrix” (The Matrix; 1999), também é outro exemplo.



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