Uma reflexão sobre os golpistas
Uma crescente parte da classe média não sabe que é
fascista. Aliás, nem sabe o que é o
fascismo. Faltou ou colou nas aulas de História. Não faz mal. A gente explica.
André Singer destaca dados de pesquisa Datafolha recente em que
Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tem 8% das intenções de voto com preferência de 20% de
entrevistados com renda acima de 10 salários mínimos familiares mensais, o que
sinaliza a inclinação da classe média pelo fascismo. Faz sentido.
O nacionalismo oportunista ficou claro naquele circo de horrores
transmitido pela mídia golpista domingo passado (17 de abril, dia brasileiro da
infâmia e da vergonha), em que políticos fisiológicos e conservadores, enrolados
em bandeiras do Brasil e usando uma fita verde amarela em volta do pescoço,
gritavam “Sim!” ao impeachment em nome
de Deus, da pátria, da família, da tradição, da propriedade, do patrão, de
Israel etc. Conforme o Jornal do Brasil, dos 367 que votaram pelo golpe, cerca
de 1/3 responde a processos ou são suspeitos. São os moralistas sem moral.
Por outro lado, foi um pesadelo vergonhoso ver a classe
média vestida com a camisa da CBF e aos gritos de “fora Dilma, fora PT”, ligando
e desligando freneticamente as luzes de seus amplos apartamentos com bandeiras do
Brasil expostas em terraços e janelas, buzinando, batendo panelas e soltando
rojões. Essa classe média é a mesma que, no futebol, torce por times europeus,
fica deslumbrada ao fazer compras em Miami, uma das cidades mais miseráveis dos
Estados Unidos, e não perde por nada nenhum daqueles blockbusters com Superman e Capitão América, diversão para
retardados mentais.
Essa gente, bem representada na Câmara dos Deputados,
destaca-se por ser ignorante, hipócrita e preconceituosa. Eles desdenham as Artes, as Letras e a
intelectualidade. Não gostam de ler.
Quando leem, é só Caras, Veja, comics
ianques, publicações culturalmente vazias. Alguns deles adoram burlar as empresas
de serviços (água, gás, luz, telefone, TV, internet), sonegar e fraudar o imposto
de renda. Outros não escondem o preconceito por quem é diferente ou “diferenciado”,
como pobres, negros, nortistas e nordestinos, estrangeiros que não sejam do
chamado primeiro mundo, ou minorias com outras opções políticas, filosóficas,
religiosas, sexuais etc.

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