Meus 200 Amigos do Facebook
Para falar a verdade, diferentemente do Roberto Carlos, eu
não quero ter um milhão de amigos. Os
duzentos do “Feici” já me bastam. Compõem um espectro interessante. Ou lembrando Jânio Quadros, uma colcha de
retalhos, uma arca de Noé. Claro que não vou dar nome aos bois, mas alguns
deles poderão vestir a carapuça. A
seguir, farei uma pequena descrição desta amostragem de fauna e flora.
Alguns são exigentes, mais com os outros do que consigo
mesmos. Não sei se por se acharem
perfeitos, esperam perfeição de tudo e de todos. Aliás, alguns imaginam que o mundo está em
constante “evolução”, tudo fica melhor e será perfeito um dia. Não deixa de ser uma faceta do positivismo
que “tudo é para o melhor no melhor dos mundos possíveis”.
Alguns têm fé demais.
Pena que façam exatamente o oposto do que teria pregado ou faria seu
líder ideológico. Mas, como mecanismo de defesa, projetam suas “imperfeições”
nos outros. Por isto é que desconfio dos moralistas. Via de regra são hipócritas.
Os religiosos são de dois tipos. O primeiro é carola, beato, carismático,
pentecostal, ortodoxo, xiita. O segundo
prefere religiões modernas, avançadas, evoluídas, sintéticas, enciclopédicas, “científicas”. Alguns até acham lícito ganhar um dinheirinho
com a fé alheia.
A maioria é ignorante.
Mas não me entenda mal: essa maioria é alienada, desinformada, talvez não
gostasse e tenha faltado às aulas de História.
Não leem nem livros e nem jornais.
Não por ser analfabeta, mas por não ver valor na leitura. Pode até abrir um jornal ou uma revista, mas
somente nas seções de esporte, entretenimento ou anúncios publicitários (para
saber o que “precisa” comprar).
Muitos não tomam partido. Preferem ficar em cima do muro. É mais
cômodo, confortável, seguro. Acham que é radical quem escolhe um lado e desce
do muro. Claro, não têm noção do que
seja radicalismo.
Não conte para ninguém, mas alguns têm vergonha da própria
origem, da própria cor, da própria classe, da própria língua! Lembrando Cazuza,
são caboclos querendo ser ingleses. Não
que um seja melhor que outro, mas apenas diferentes.
Outros seguem à risca a lei de Gérson, estão sempre querendo
levar vantagem. São espertos. Criticam a desonestidade, desde que isso não
inclua “gatos” e fraudes contra fornecedores de serviços (água, energia,
telefone, TV por assinatura etc.). Um
jeitinho, uma caixinha aqui, uma propina ali, que mal faz?
Com avós ademaristas ou pais malufistas, alguns achavam
razoável “roubar, mas fazer”. No
entanto, por causa da moda da volta da UDN, viraram tucanos “para combater a
corrupção”. O esquartejamento diário do
petismo é a catarse deles nas redes sociais, no WhatsApp.
E como tem coxinha! A meta deles é subir na vida, na
carreira, ser gestor, ficar rico, comprar aquele apê em Miami, ir morar nos
States. Não faz mal ser puxa-saco,
capacho, lambe-botas, pelego, piolho de rico e de patrão. O que importa é ter
grana, ser chique, poder comprar tudo do bom e do melhor, ou pelo menos o que
estiver na moda. Não faz mal se os bens
que são seus fetiches forem manufaturados por mão de obra escrava lá no outro
lado do mundo.
Tem uns que curtem autoritarismo, no fundo por serem
inseguros. Não aceitam esta baderna “que
está aí”. Pedem a volta do regime
militar. Têm a Síndrome de Estocolmo. São sadomasoquistas. Adoram julgamento, castigo,
punição. Deliram com o Datena, o Marcelo Rezende e a Sheherazade. Repetem: “bandido
bom é bandido morto; direitos humanos para humanos direitos”. São
conservadores, retrógrados, reacionários. Fazem lembrar o que disse Tim Maia: “Este
país não pode dar certo. Aqui prostituta goza, cafetão tem ciúmes, traficante
se vicia, e pobre é de direita”. O sujeito pode ser pobre, negro, assalariado,
homossexual, sem educação (diploma), mas vota no rico, no branco, no patrão, no
heterossexual, no doutor, no “engenheiro”.
Tem gente que se gaba porque “se informa” pela revista
Veja. E lê a Você S/A para turbinar a
carreira. Ama o capitalismo. Quer ser CEO, CFO, COO... Seu modelo é o
Steve Jobs. Aí, para soar menos egoísta ou mais politicamente correto, curte
uma ONG beneficente, um trabalho comunitário ou voluntário, o que estiver mais
na moda.
Pode até reconhecer que a Cultura, mesmo aparelhada, é a
melhor TV aberta, mas é Globo-dependente e assiste qualquer coisa, desde que
passe na Globo, seja novela, reality show, esporte (futebol, fórmula 1, lutas selvagens), enfim qualquer vazio cultural. A Globo é que faz a agenda de vida
destas pessoas.
Mas tem muita gente jovem, dinâmica, inteligente. Paradoxalmente, alguns seguem Bolsonaro, Olavo
de Carvalho. São modernos, “antenados”, super
atualizados, embora pensem exatamente como os pais e os avós, ou de forma mais
retrógrada ainda.
Será que
me esqueci de alguém?

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