Nem tudo que reluz é ouro
“O Homem Dourado”, 15° episódio da segunda temporada de “Perdidos
no Espaço”, traz um alienígena brilhante e reluzente, cavalheiro e bonito, que dá
presentes para toda a família Robinson a fim de seduzi-la. Explica que está ali para combater um inimigo
mau e perigoso. Sensata, Maureen acha
que “antes de julgar um, deve-se ouvir o que o outro tem a dizer - há sempre dois
lados em cada discussão e com muita frequência a razão está sempre entre os
dois”. Penny fica desconfiada e procura o inimigo do homem dourado, que tem a
aparência de um réptil. Mas Penny não se importa com sua feiura e tenta fazer
amizade com ele. O homem dourado pede ao Dr. Smith que entregue todas as armas
para que ele possa vencer o inimigo. O
Robot descobre que o homem dourado pretende destruir tanto o inimigo como a
própria família humana, mas é desativado pelo alienígena. Este arma um campo minado e, convenientemente,
se torna o salvador de Judy ao resgata-la da armadilha. Quando a família está
prestes a entregar as armas, Penny adverte que acredita na inocência do réptil.
Apesar disso, o ambicioso e traiçoeiro doutor sorrateiramente entrega as armas
ao homem dourado. Aí finalmente descobre
quem é realmente o “bravo e sincero” homem dourado.
Esta série, embora admirada em minha infância, é
conservadora, reacionária e ilustra muito bem o imperialismo ianque da
época da guerra fria em que eles pretendiam dominar, além da terra e do espaço
(“Terra de Gigantes”), o mar (“Viagem ao Fundo do Mar”) e o tempo (“Túnel do
Tempo”), culminando com a fantasia do pouso lunar. Mas este episódio ilustra metaforicamente
o que acontece agora em nosso país.
Basta que se compare a família Robinson ao povo manipulado pela mídia,
especialmente a classe média ignorante, hipócrita e preconceituosa. O homem dourado seduz e trapaceia como a
direita. E o mostrengo é a imagem que a
mídia golpista faz de nossa esquerda que envelheceu e vê a juventude sendo cada
vez mais engolida pela direita.
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