American sniper, american islamophobia
Não vou perder meu tempo assistindo à transmissão da festa
de entrega do Oscar porque a TV não determina minha agenda de vida. Mas, como
eu gosto de cinema, todo ano fico interessado em saber quais filmes estão
concorrendo. Via de regra, assisto a
todos exceto o vencedor. Sim, porque se
trata de um prêmio ora político, ora comercial.
Este ano os filmes preferidos da crítica são:
·
"Whiplash:
Em Busca da Perfeição”, do Damien Chazelle;
·
“Boyhood”,
do Richard Linklater;
·
“The
Imitation Game”, do norueguês Morten Tyldum;
·
“Birdman”,
do mexicano Alejandro Gonzáles Iñárritu, e
·
“The Grand
Hotel Budapest”, do Wes Anderson.
No entanto, levando em
consideração o nível intelectual do “cristão branco de origem europeia”, o que
seria uma atualização da expressão wasp (white anglo saxon protestant), e que se diverte comendo pipoca e
tomando Coca-Cola ao ver blockbusters,
acho que um azarão vai ganhar a maior parte dos prêmios. Refiro-me ao “American Sniper”, do Clint Eastwood.
Talvez você tenha notado que
sempre procuro citar mais o diretor de um filme do que os atores e
atrizes. Penso que o mais importante em
um filme é a direção e o roteiro. Então,
para entender um filme é essencial conhecer o autor do roteiro e o diretor, o
que eles pensam, em que eles acreditam.
O republicano Clint Eastwood,
amigo do Charlton Heston (porta-voz da National
Rifle Association), apoiou Nixon, Arnold Schwarzenegger e John McCain/Sarah
Palin. Ela, Sarah, é ídolo do movimento Tea Party, uma espécie de movimento
Cansei, Revoltados Online e o partidinho DEM, linha auxiliar do PSDB ao lado do
PPS (do quinta-coluna Bob Jetom). Ele,
McCain, apoiou o golpe nazista na Ucrânia ao lado do amigo Oleh Tyahnybok, para
quem a Ucrânia tinha sido governada pela “máfia russa e judia” e corria risco
de ser tomada por “alemães,
judeus e outras escórias”.
Acho que já dá para prever o que
é este filme, favorito ao Oscar, em minha opinião. Pelas críticas que li e compartilho abaixo,
já sei que “American Sniper” é uma
apologia à violência, ao militarismo, à indústria de armas, à guerra, talvez um
pouco pior que “Guerra ao Terror” (Hurt
Locker, 2008, Kathryn Bigelow), vencedor do Oscar em 2009. É baseado no livro do próprio Chris Kyle,
personagem central, franco-atirador que matou “em nome de Jesus” mais de 160
pessoas, incluindo civis, mulheres e crianças.
Este psicopata islamofóbico, sádico e covarde, é ‘vendido e comprado’ como
herói pela direita americana. Lembrando
bem a TFP (Tradição, Família e Propriedade), as prioridades dele eram, pela
ordem, Deus, pátria e família. Ele
assassinava para defender os Estados Unidos dos iraquianos “selvagens”, na luta
do bem contra o mal naquela “terra amaldiçoada” que eles invadiram sob o
pretexto mentiroso de lá haver armas de destruição em massa. Aliás, a enganação
começa ao tentar convencer os desinformados de que os “mocinhos super-heróis do
bem” foram ao Iraque para vingar os ataques de 11/9. O que tem uma coisa a ver com a outra? Nada.
A não ser para os walking dead das
redes sociais, que vão curtir e compartilhar ignorância, preconceito e
hipocrisia.
Vínculos com algumas críticas:


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