Doze Anos de Escravidão
Não perdi meu tempo vendo a cerimônia do Oscar neste fim de
semana, mas minha primeira impressão quando soube dos resultados foi: “Até que
enfim venceu um filme que preste”. É que
considero o Oscar uma premiação política e comercial, sem valor artístico ou cinematográfico. Muitos teleguiados pela mídia poderão
discordar, mas quando a gente vê “Guerra ao Terror” (The Hurt
Locker, Kathryn Bigelow, 2008) ganhar de “Avatar” (James Cameron,
2009), como foi em 2010, além de outros tantos exemplos, a gente percebe o
viés, a tendência ideológica a serviço do imperialismo e do colonialismo
ianque.
Vi apenas alguns dos filmes que concorreram, incluindo os
estrangeiros, mas acho que “Doze Anos de Escravidão” (12 Years A
Slave, 2013), do Steve McQueen, mereceu o prêmio, inclusive por
resgatar um tema interessante e que dividiu os americanos no século 19. Este diretor, assim como Chiwetel Ejiofor que
fez o papel de Solomon Northup, é inglês e negro. Dirigiu também os ótimos “Fome”
(Hunger, 2008) e “Shame” (2011), nos quais também estrelou o
alemão Michael Fassbender, da série “Band of Brothers (2001), que fez o papel
do tirano senhor Epps. Não confundir este Steve McQueen com aquele ator americano,
branco, falecido, que estrelou “Fugindo do Inferno” (The Great Escape,
1963) do John Sturges, também falecido.
“Nebraska”, do Alexander Payne (de “Sideways - Entre Umas e
Outras”, 2004), também é um filme interessante, bem diferente da média americana
cheia daqueles efeitos especiais e daquele culto fascista às armas. Mostra bem a vida no interior dos Estados
Unidos, onde 10-16% é pobre, conforme o jornal The New York Times. Recomendo.
Entre os estrangeiros achei que o dinamarquês “A Caça”
(Jagten, Thomas Vinterberg, 2012) ficaria com o título de
melhor filme neste ano. Mas o melhor de
fato vencer seria tão improvável como se “Omar” (2013) do palestino Hany
Abu-Assad tivesse alguma chance. Só para
refrescar a memória, esse palestino, nascido em Nazaré, também dirigiu os
premiados “Paradise Now” em 2005 e “Josh” (Against the Grain)
também em 2013.

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