De fanáticos e de medíocres
Uma vez um colega de trabalho avisou seus pares: “Olha,
estão esperando na Recepção dois asiáticos e um normal”. Ou eram um asiático e dois ”normais”, não me
lembro. Não importa. E também não vem ao
caso se o que o colega queria destacar era a procedência dos visitantes. O que, para mim, chama a atenção é a
distinção entre quem é normal e quem é diferente. Quem é normal e quem é diferente? Aquele que
é local ou o estrangeiro? O branco, o amarelo ou o negro? O católico, o judeu
ou o muçulmano? O corintiano, o flamenguista ou o pontepretano? O heterossexual
ou o homossexual? Depende do ponto de vista?
Em minha percepção, o que importa é como o normal vê e trata o diferente. E se a diversidade e a pluralidade são vistas
e tratadas com tolerância e cosmopolitismo.
Por outro lado, é interessante notar que, mesmo em grupos
relativamente “homogêneos”, isto é, só de pessoas “normais”, existe uma ojeriza
latente aos “pontos fora da curva”, àqueles que fogem da média. Um par de
sapatos pretos em um ambiente em que se usam apenas sapatos brancos pode causar
algum desconforto e até certa insegurança. A harmonia do grupo é mantida quando todos
tiram a mesma nota. Mas se alguém ousar destacar-se,
conquistar a medalha de honra ao mérito, aparecer mais, ganhar mais, aí nascem
a inveja e o ódio. O vencedor será
crucificado ou o pódio será menosprezado. Lembra-se da fábula da raposa e as
uvas? Se a raposa não puder alcançar as uvas maduras, então “dirá” que estão
verdes ou azedas. Nós vivemos a era da
mediocridade, quando o normal é ser mediano, comum, vulgar. É curioso ver muita gente falar em “quebrar
paradigmas”, principalmente considerando que a maioria nem sabe o que paradigma
significa. Mas ai de quem não seguir o modelo! Coitado daquele que ousar
divergir da unanimidade (burra, como diria Nelson Rodrigues). É proibido exceder. Optar pelo senso crítico
em detrimento do senso comum, nem pensar! Se alguém subverter esta ordem, será tachado
de fanático até por quem não sabe o que realmente é fanatismo.
É realmente uma pena que os medíocres tenham preconceito com
o entusiasmo. Um ícone dos textos de
autoajuda uma vez afirmou que “há uma mágica real no entusiasmo. Ela explicita
a diferença entre a mediocridade e a realização”.

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