O Cremador
Karl Kopfrkingl (Rudolf
Hrusínský) dirige um crematório em Praga, na Tchecoslováquia ocupada pelos
nazistas, em 1930. Ele é um perfeccionista, obcecado pela
religião tibetana, defensor da cremação dos cadáveres para libertar e purificar
a alma dos mortos. Ao reencontrar o
nazista Reineke, com quem ele tinha lutado pela Áustria na Primeira Guerra
Mundial, Karl é levado a crer que tem sangue alemão e por isso deve enviar seu
filho para uma escola alemã. Depois
Reineke o convence de que sua esposa é meio judia e, portanto, seus filhos
também são judeus. No contexto da
radicalização política e da morte do Dalai Lama, Karl enlouquece e mata a
esposa e o filho, mas falha ao tentar matar a filha.
O filme, dirigido por Juraj
Herz em 1969, com roteiro dele mesmo e do autor Ladislav Fuks, tem cerca de uma
hora e meia. Confesso que achei bem
chata a primeira hora, ao vê-lo pela primeira vez, mas o último terço ganha
mais ação e o filme se torna inesquecível. Em branco e preto, e com uma bela música, virou
cult após vinte anos de proibição, sendo considerado um dos melhores filmes tchecos. É meio expressionista, humor negro, sombrio,
carregado. Lembra Friedrich Murnau, Robert
Wiene, Fritz Lang e até Nietzsche e Freud.

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