Django Livre
“Django Livre” (Django
Unchained, 2012) é o oitavo filme de longa metragem de Tarantino,
como único diretor. Não é seu melhor
filme, que em minha opinião é Pulp Fiction (1994) e Kill Bill (volumes 1 e 2,
2003-2004), mas é ótimo, acima da média do atual cinema americano. O nome se refere a um escravo (Jamie Foxx)
cuja obsessão é reencontrar a esposa Broomhilda von Schaft (Kerry Washington),
escrava que sabia falar alemão. Por
acaso, ele é comprado por um caçador de recompensas, o alemão Dr. King Schultz (o praticamente perfeito ator Christoph
Waltz). O doutor, que detesta a escravidão, faz um
trato com Django: libertá-lo caso este o ajude a encontrar três foragidos com
cabeça a prêmio. Cumpre o trato e propõe
que ganhem algum dinheiro juntos, atuando como caçadores de recompensa para em
seguida encontrar e comprar a liberdade da moça. Tudo se complica porque ela, ainda escrava,
agora vive na fazenda Candilândia, propriedade do cruel Calvin Candie (Leonardo
DiCaprio). O filme lembra “Django”,
dirigido por Sergio Corbucci em 1966 e estrelado por Franco Nero, que faz uma
ponta no filme do Tarantino, homenageando o “western spaghetti” de Sergio Leone
e outros. Também faz referência ao
cinema blaxploitation. Como sempre,
Tarantino faz diversas referências ao longo de todos seus filmes.
Há diversas críticas e resenhas
desse filme. Portanto, não quero aqui
fazer mais uma. Destaco apenas algumas
observações.
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A cena em que o fazendeiro, empregador dos três
foragidos mortos por Django e Schultz, persegue os dois nos moldes da Ku Klux
Klan é hilária, e faz do filme uma crítica ao racismo (e não o contrário, como
disse Spike Lee).
·
É muito interessante a tentativa do fazendeiro Calvin
de explicar por que o negro é inferior com base na frenologia. A gente lembra na hora do espiritismo de
Allan Kardec – ver http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1862/04a-frenologia.html. E também do Serra – ver http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/10/serra-quer-usar-frenologia-para.html.
·
O escravo Stephen (Samuel L. Jackson) me faz
lembrar muita gente que tem vergonha da própria origem, submete-se a um
processo de completa aculturação, e torna-se uma espécie de traidor,
quinta-coluna, pelego e lambe-botas do sinhozinho branco de olhos azuis.

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