Grande Mídia
Quando eu era garoto o meu pai não comprava jornal. Não que fosse tão caro, acho. Mas nos faria falta. Comprar um jornal de manhã, lê-lo durante o dia e descartá-lo à noite era um luxo apenas para a classe média, da qual a gente não fazia parte. De vez em quando a gente lia as manchetes nas primeiras páginas, colocadas nas laterais das bancas de jornal. O restante das notícias, só às 19 horas, na “Hora do Brasil”, quando a gente se reunia na sala, em torno do rádio. A gente não tinha televisão. Revistas, eu só lia no barbeiro, mas lá eu preferia os gibis mesmo. Aprendi a ler na cartilha “Caminho Suave” e fui culturalmente colonizado pelo “Mickey”.
Hoje, depois ter assinado por muito tempo um grande jornal paulistano e algumas revistas semanais, estou decepcionado com a grande mídia. Compreendi o significado de “PiG”, o partido da imprensa golpista, isto é, a nossa grande mídia, principalmente Globo/CBN/Época, Band, Folha, Estado, Abril/Veja. Prefiro me informar pela Internet, não somente pelos portais do PiG, dos quais também fui assinante, mas pelos media watch, como o Observatório da Imprensa, e pelos “blogs sujos” – termo usado pela campanha direitista do Çerra nas últimas eleições.
Há muita gente que acredita estar bem informada pela grande mídia, que afirma ser isenta, independente, plural e apartidária. Na verdade, no Brasil essa imprensa literalmente vendida está nas mãos de cerca de dez famílias conservadoras. E no resto do mundo essa concentração é impressionante. Os maiores conglomerados da indústria da informação e do entretenimento têm sede nos Estados Unidos: AOL-Time Warner, Disney/ABC, Viacom/CBS, NBC/Vivendi e News Corp/Fox, que difama o presidente Obama todo santo dia.
A seguir, darei um breve exemplo da contrainformação que “essa gente” vende. Quase todo mundo teve algum contato com o circo montado em torno da condenação à morte da iraniana Sakineh. Pois é, que selvagem e bárbaro esse governo do Irã, não? A Folha e a Veja, que é contra o desarmamento, ambos “informam” a classe média acerca desse país pertencente ao “eixo do mal”. Pena que os “bem informados” não têm acesso à informação de que os Estados Unidos executam quase uma pessoa por semana... Duvida? Em 2010 houve mais de 110 sentenças de morte lá, além de 46 execuções. Esse fato é escondido pela mídia golpista, mas está no relatório da Anistia Internacional. Até os alinhados Japão e Coréia do Sul cometem essa selvageria e barbárie, sabia? Para saber mais, clique no link – a fonte, repito, é o relatório anual da Anistia.

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