Lula desce do muro, para o lado de Bush
Sábado passado este foi o título da coluna do Clovis Rossi na Folha de S.Paulo. A primeira idéia que me ocorreu ao lê-lo foi que tivemos algo positivo: alguém desceu do muro. Sim, porque no partido da Folha ninguém é muito afeito a descer dos muros. Outro ponto positivo, nem que seja apenas para aqueles que gostariam de um terceiro turno, é que o presidente fez a opção certa, aparentemente. Entre descer para o lado de Bush ou para o lado de Chávez, tenho certeza de que a classe média e os plutocratas fariam a mesma opção do presidente. Então "essa gente" fica sem munição, a não ser spams preconceituosos como os que recebo de vez em quando e que destacam a falta de escolaridade do presidente, por exemplo. Aliás, alguns desses e-mails revelam bem o nível cultural de quem os escreve e propaga.
Dizem que cada povo merece o governo que tem. Faz sentido. O presidente e a família dele provavelmente representam o brasileiro típico, médio, aquele que se encontra nas ruas, lugar-comum. E até por isto mesmo foi eleito e reeleito. Certos e-mails dão a entender que cabe a nós atuarmos para mudar "tudo isso que está aí" através do voto. Concordo plenamente. E tivemos essa oportunidade recentemente. No entanto não é cabível agora um terceiro turno, que me perdoem os inconformados.
Quando afirmo que o presidente é um típico brasileiro, cabe lembrar que nem todo o brasileiro é como ele naturalmente, porque o povo brasileiro não é homogêneo. Nisso parecemos os Estados Unidos, que tampouco são homogêneos e têm um presidente também bastante questionável.
Não dá para comparar a América com a França, a Alemanha e a Inglaterra, por exemplo, que são nações seculares, com identidade própria e características definidas. Eles têm um padrão de pensamento, cultura, personalidade, índole etc. Dá para grosseiramente bater o olho e dizer: este é francês, aquele é inglês, aquele outro é alemão. Mas quem é o brasileiro? Quem é o norte-americano?
Não é surpresa nenhuma o comportamento do presidente, se considerarmos sua origem e sua história. Basta olhar para os lados e veremos "Lulas" por toda parte. Novo-rico ou não.
Em viagem recente, observei gente de classe média, a julgar pelo automóvel, dar sinal de luz aos motoristas dos automóveis trafegando em sentido contrário, avisando que logo adiante estaria um guarda para fiscalizar eventuais excessos de velocidade. Pensei na hora: ali estava alguém contra a lei. Da mesma forma que um filho, ao ver o pai avançar um sinal vermelho, pensaria: "é certo burlar a lei".
Conheço muita gente que pede comprovantes de pagamentos não efetuados a dentistas e médicos, por exemplo, e estes lhes fornecem tais documentos, todos com a finalidade de burlar o fisco.
É comum se ver no trânsito automóveis com uma fitinha na placa traseira com a finalidade de dificultar a identificação do veículo e assim poder avançar um sinal e exceder os limites de velocidade.
É comum se comprar software pirata alegando-se que fica mais barato. O original é caro. Então se faz a própria lei. Copiam-se CD's e DVD's - quem se importa com direitos autorais?
Furar fila. Ultrapassar pela direita. Trafegar pelo acostamento. Pisar na grama. Perceber que recebeu troco a mais e não devolver. Tudo bem. O importante é levar vantagem, certo? Há uma lista enorme de comportamentos "tipicamente brasileiros", ou tipicamente latino-americanos, ou latinos simplesmente. É o nosso famoso "jeitinho".
O cômico, e trágico, é que essas mesmas pessoas criticam os políticos, esquecendo que os políticos são o espelho da própria sociedade. E dizem que lá fariam da mesma forma. Que se ajeitariam, que roubariam mesmo, e também. E acabam escolhendo esses mesmos políticos. Um deles pode estar lá a qualquer momento, como é o caso do presidente.
Essa gente é mesmo hipócrita, não? Enfim, nenhuma surpresa.
Dizem que cada povo merece o governo que tem. Faz sentido. O presidente e a família dele provavelmente representam o brasileiro típico, médio, aquele que se encontra nas ruas, lugar-comum. E até por isto mesmo foi eleito e reeleito. Certos e-mails dão a entender que cabe a nós atuarmos para mudar "tudo isso que está aí" através do voto. Concordo plenamente. E tivemos essa oportunidade recentemente. No entanto não é cabível agora um terceiro turno, que me perdoem os inconformados.
Quando afirmo que o presidente é um típico brasileiro, cabe lembrar que nem todo o brasileiro é como ele naturalmente, porque o povo brasileiro não é homogêneo. Nisso parecemos os Estados Unidos, que tampouco são homogêneos e têm um presidente também bastante questionável.
Não dá para comparar a América com a França, a Alemanha e a Inglaterra, por exemplo, que são nações seculares, com identidade própria e características definidas. Eles têm um padrão de pensamento, cultura, personalidade, índole etc. Dá para grosseiramente bater o olho e dizer: este é francês, aquele é inglês, aquele outro é alemão. Mas quem é o brasileiro? Quem é o norte-americano?
Não é surpresa nenhuma o comportamento do presidente, se considerarmos sua origem e sua história. Basta olhar para os lados e veremos "Lulas" por toda parte. Novo-rico ou não.
Em viagem recente, observei gente de classe média, a julgar pelo automóvel, dar sinal de luz aos motoristas dos automóveis trafegando em sentido contrário, avisando que logo adiante estaria um guarda para fiscalizar eventuais excessos de velocidade. Pensei na hora: ali estava alguém contra a lei. Da mesma forma que um filho, ao ver o pai avançar um sinal vermelho, pensaria: "é certo burlar a lei".
Conheço muita gente que pede comprovantes de pagamentos não efetuados a dentistas e médicos, por exemplo, e estes lhes fornecem tais documentos, todos com a finalidade de burlar o fisco.
É comum se ver no trânsito automóveis com uma fitinha na placa traseira com a finalidade de dificultar a identificação do veículo e assim poder avançar um sinal e exceder os limites de velocidade.
É comum se comprar software pirata alegando-se que fica mais barato. O original é caro. Então se faz a própria lei. Copiam-se CD's e DVD's - quem se importa com direitos autorais?
Furar fila. Ultrapassar pela direita. Trafegar pelo acostamento. Pisar na grama. Perceber que recebeu troco a mais e não devolver. Tudo bem. O importante é levar vantagem, certo? Há uma lista enorme de comportamentos "tipicamente brasileiros", ou tipicamente latino-americanos, ou latinos simplesmente. É o nosso famoso "jeitinho".
O cômico, e trágico, é que essas mesmas pessoas criticam os políticos, esquecendo que os políticos são o espelho da própria sociedade. E dizem que lá fariam da mesma forma. Que se ajeitariam, que roubariam mesmo, e também. E acabam escolhendo esses mesmos políticos. Um deles pode estar lá a qualquer momento, como é o caso do presidente.
Essa gente é mesmo hipócrita, não? Enfim, nenhuma surpresa.

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