Pra não dizer que não falei da Copa

"Tempo de fazer amigos" e "Diga não ao racismo" são os lemas desta Copa do Mundo. A partir de hoje os capitães das seleções que estão nas quartas-de-final começaram a ler mensagens anti-racistas antes do início das partidas - foi assim hoje e será amanhã também. É uma louvável iniciativa da FIFA e da UNICEF.
Os neonazistas alemães andaram distribuindo panfletos com o seguinte texto: "Branco. Algo mais que a cor de uma camisa. Por uma seleção realmente branca".
O líder da Frente Nacional, partido francês de extrema direita, Jean-Marie Le Pen disse que os franceses não se identificam com sua seleção porque há muitos negros no time, que a França não se reconhece totalmente nesse time, e que talvez o treinador tenha exagerado na proporção de jogadores de cor.
Até mesmo os equatorianos pisaram na bola dizendo que "os negritos equatorianos iriam dar golpes nos brancos ingleses" no jogo contra a Inglaterra, domingo passado.
Por outro lado, os alemães parecem ter aprendido com os erros do passado e estão firmes na luta contra o racismo, o anti-semitismo e a xenofobia. A final desta Copa será no Estádio Olímpico de Berlim, que foi palco das conquistas do atleta negro norte-americano Jesse Owens, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, que envergonharam os nazistas. Alguns dizem que Adolf Hitler se retirou de lá para não ter que entregar as medalhas a Jesse Owens, ou nem chegou a ir lá para não ter que ver o atleta negro competindo nas provas de atletismo.
A meu ver, está aí a razão de os Estados Unidos serem hoje a maior e mais importante nação do planeta: o pluralismo... político, filosófico, religioso, racial etc. A América aceitou a todos, de braços abertos, e suas maiores cidades são todas cosmopolitas, e sem espaço para o provincianismo.
Os social-darwinistas devem ter faltado na aula de Genética e não aprenderam que a força da sobrevivência está justamente na pluralidade. Bem, mas este é tema para outra ocasião. Agora é Copa do Mundo.

Comentários

Postagens mais visitadas