Liberdade de expressão
A Folha publicou nesta sexta uma das doze charges que estão revoltando o Islã. O jornal dinamarquês "Jyllands-Posten" as tinha publicado em setembro. As charges provocaram protestos porque retratavam o profeta Maomé, o que é proibido no mundo islâmico para evitar a idolatria. O problema é que além de representar imagens do profeta, as charges ridularizam a fé islâmica e a associam ao terrorismo. Com o agravamento da crise, na semana passada vários jornais europeus republicaram as charges em nome da liberdade de imprensa. A charge reproduzida pela Folha mostra Maomé dizendo a homens-bomba que chegam à entrada do Paraíso: "Parem, parem, nós estamos sem virgens". Noutra, o turbante do profeta é uma bomba prestes a explodir. O ataque à ideologia é preferível ao ataque às pessoas, mas gera a mesma ou maior revolta. Neste momento, cabe refletir sobre os limites da liberdade de imprensa. É curiosa a posição americana neste caso. Os EUA estão apoiando os países islâmicos porque as charges são ofensivas e incitam o ódio religioso e étnico. Na verdade, é um posicionamento estratégico, porque tenta compensar sua reputação deteriorada no mundo muçulmano, dizem os europeus. Por outro lado, a Europa tem demonstrado tendências xenofóbicas ultimamente, o que é preocupante porque lembra o nazi-fascismo. Penso que devemos ter liberdade de expressão e de manisfestar eventuais discordâncias, mas sem desrespeitar as pessoas e sua fé. Nesta questão, sou solidário à posição americana, que mesmo sendo oportuna à política externa deles, tem natureza pluralista.
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