Câmara derrota Lula e elege Severino
É a manchete da Folha hoje. Não costumo comentar política aqui. Pelo menos não a política nacional atual. Mas ontem presenciei um momento histórico, ouvindo pelo rádio do carro a apuração dos últimos votos para a presidência da Câmara, logo cedo, quando ia ao trabalho. E aí decidi comentar. Mas não o fiz ontem. Decidi esperar a reação da imprensa, ponderar. E fiz bem. De fato, estava certo que era um momento histórico. Mas não pelos motivos que imaginei, sem conhecimento dos últimos fatos que envolveram essa eleição. A primeira impressão foi que a eleição do Severino Cavalcanti teria sido um ato de auto-afirmação do poder legislativo, uma declaração de independência, uma lição de democracia. Afinal o governo vinha maltratando o parlamento, que praticamente não tem legislado, mas apenas votado medidas provisórias impostas pelo executivo. Os ministros nem atendiam mais os parlamentares. O governo enviou uma comissão de ministros para pressionar os deputados e fez tudo que podia em favor de seu candidato (Luiz Eduardo Greenhalgh), um nome não bem aceito nem mesmo dentro do partido majoritário e do governo, o PT. Sem falar de uma série de erros táticos e estratégicos. Bom, era a resposta das urnas. Muito justo. Mas, houve um fator determinante. Pela primeira vez o partido majoritário, do governo, ficou de fora da Mesa diretora da Câmara. Claro que foi um fato histórico, mas não daqueles de se orgulhar. Ao contrário. O que levou “300 picaretas” a votar no candidato retrógrado e inexpressivo, Severino, ex-menino de recados da ditadura militar, foi sua promessa de elevar os salários dos deputados e “dar-lhes melhores condições de vida!” Resultado: o governo perdeu. O PT perdeu. O Brasil perdeu.

Comentários