Para Não Dizer Que Não Falei do Oscar



Muita gente foi dormir tarde no domingo passado, e acabou frustrada, reclamando das premiações.  Não perdi meu tempo vendo a badalada festa da entrega das estatuetas, mas vi quase todos os filmes indicados ao prêmio mais político e comercial do cinema ocidental.

O grande vencedor, como todo mundo sabe, foi “A Forma da Água” (The Shape of Water) do mexicano Guillermo del Toro, que também venceu como melhor diretor.  Seu filme também venceu os prêmios de melhor trilha sonora e melhor design de produção. Toro já dirigiu outros filmes com criaturas estranhas e simpáticas, como o excelente “O Labirinto do Fauno” (Pan’s Labyrinth, 2006) e o divertido “Hellboy” (2004).

O segundo filme mais premiado foi “Dunkirk”, do inglês Christopher Nolan, com melhor edição, mixagem e edição de som.  Nolan é diretor de filmes excelentes, como “A Origem” (Inception, 2010), ”Interestelar” (Interstellar, 2014), “O Grande Truque” (The Prestige, 2006), “Amnésia” (Memento, 2000), além dos melhores filmes de Batman: The Dark Knight (2008), The Dark Knight Rises (2012) e Batman Begins (2005).

O melhor ator tinha mesmo que ser o inglês Gary Oldman, que interpretou Winston Churchill em “O Destino de uma Nação” (Darkest Hour), filme com a mesma temática de Dunkirk: a Segunda Guerra Mundial. Esse filme também levou a estatueta de melhor maquiagem e cabelo – transformar Gary Oldman em Winston Churchill foi uma obra-prima.

A melhor atriz foi a Frances McDormand, que interpretou Mildred em “Três Anúncios para um Crime” (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri), do inglês Martin McDonagh.  Ela já tinha interpretado outra mulher muito determinada, a policial grávida Marge Gunderson, de “Fargo” (1996) dos ótimos irmãos Joel e Ethan Coen.

Os prêmios de melhor fotografia e efeitos visuais ficaram com “Blade Runner 2049”, do canadense Denis Villeneuve, uma discutida continuação de Blade Runner (1982), dirigido pelo inglês Ridley Scott e baseado no livro “Do Androids Dream of Electric Sheep?” do Philip K. Dick.  Nesse autor também se baseia a excelente série de TV “O Homem do Castelo Alto” (The Man in the High Castle, 2015).  Esses prêmios frustraram muito o público infanto-juvenil (do ponto de vista de amadurecimento, não de idade) de Star Wars, Guardiões da Galáxia e outras bobagens de Hollywood.

Destaques importantes:

  • Jordan Peele, por tornar-se o primeiro negro a ganhar o prêmio de melhor roteiro original, com “Corra!” (Get Out), dirigido por ele mesmo.

  • James Ivory, por tornar-se o vencedor mais velho da premiação, ao levar o Oscar de melhor roteiro adaptado, com “Me Chame pelo seu Nome” (Call Me by Your Name), do italiano Luca Guadagnino e coproduzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira (de “O Cheiro do Ralo”, “Tim Maia”, “Heleno” e outros).

  • “Uma Mulher Fantástica”, melhor filme em língua estrangeira, do chileno Sebastián Lelio (que também tinha dirigido “Gloria” em 2013).  Este é o primeiro filme estrelado por transexual (Daniela Vega) a levar um Oscar.

Desta vez a dor de cabeça do público infanto-juvenil foi compartilhada pelos reacionários da linhagem dos idiotas Trump e Bolsonaro (pai e filhos), racistas, homofóbicos, misóginos, machistas, antissemitas, preconceituosos, pró-militarismo, pró-tortura.

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