sábado, dezembro 31, 2016

Sobre a imprensa canalha


"Você pode dizer que a imprensa é resultado do meio, a imprensa é resultado da sociedade em que funciona. Certo. Mas, às vezes, por força de um indivíduo, ou por força de um pequeno grupo de indivíduos, ela pode se antecipar ao seu meio e fazer progredir esse meio. Mas a imprensa brasileira sempre foi canalha. Eu acredito que se a imprensa brasileira fosse um pouco melhor poderia ter uma influência realmente maravilhosa sobre o país. Acho que uma das grandes culpadas das condições do país, mais do que as forças que o dominam politicamente, é nossa imprensa".
Millôr Fernandes, jornalista carioca falecido em 2012, certamente desconhecido pela nossa classe média ignorante, não mentiu; estava certo.
A mídia, imprensa falada, escrita, televisiva e cinematográfica, sempre esteve concentrada nas mãos de cerca de uma dúzia de famiglias no Brasil (Mesquita, Frias, Marinho, Civita, Abravanel, Bloch, Kertész, Justus etc.) e, mais recentemente, de maçons, políticos e evangélicos. Não é preciso ter muita imaginação para desconfiar das intenções dessa gente. O problema é que tolos, de todas as classes, crédulos, acabam sendo hipnotizados e manipulados tais como os ratos de Hamelin.
O temeroso ano de 2016 acaba, se não durar outros 20 anos, com uma disputa inédita no submundo dos esgotos da nossa imprensa marrom: IstoÉ x Veja. A primeira concedeu o prêmio de "Brasileiro do Ano" a Michel Temer. A segunda bajula Marcela Temer como a aposta do governo ilegítimo, que aumentou em 624% a publicidade na editora Abril.
Joseph Pulitzer, que os patrouxinhas também não devem conhecer, pode ser apresentado a eles como o profeta dos tempos modernos porque antecipou tudo ao afirmar: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".

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