domingo, novembro 27, 2016

Hasta Siempre, Fidel!

Está interessante hoje o editorial da Folha. Na verdade, são dois: “Não aprenderam nada” e “A perna longa da mentira”.  No primeiro, destaca-se que o comportamento dos políticos “continua a pautar-se pelo fisiologismo, autoritarismo e desprezo à opinião pública”, o que ficou evidenciado nas declarações de senadores tucanos, como o perdedor de Minas e o ex-assaltante de trem e carro pagador (Aloysio PQP VTNC Nunes). No segundo, a Folha critica as mentiras espalhadas pelas redes sociais e, em parte, com razão. No entanto, a responsabilidade é da própria mídia, no caso os jornalões e as revistas semanais, que perderam a credibilidade ao se tornarem porta-vozes de grupos ideológicos.  A própria Folha, enquanto empresa, colaborou com o regime fascista instaurado em 1964, considerado por ela uma “ditabranda”.
Ao contrário da Folha, o Estadão, embora seja confessadamente militante de direita, foi mais digno ao se referir à morte de Fidel. Enquanto a Folha, que sempre dá uma no cravo e outra na ferradura, usava pejorativamente termos como “comunista” e “ditador”, o Estadão teve uma postura, digamos, mais jornalística, não sei se por uma opção irônica, de quem “não chuta cachorro morto”.  Por outro lado, em relação ao governo Temer, ou desgoverno - para ser mais realista, o Estadão, mais conservador, reluta em admitir a decadência ética e econômica do país sob Temer.  Já a Folha, a julgar pelos editoriais e por seus colunistas, desembarca do governo ilegítimo que apoiou no início.
O abestado Trump, talvez falando para seus seguidores nazistas e fascistas, afirmou que Fidel Castro foi um ditador brutal e espera que o povo cubano “caminhe para a prosperidade e a liberdade”.  Logo ele, Trump, que burlou embargo americano, explorando oportunidades de negócios na ilha.  Ou seja, ele quer que haja liberdade de explorar e ser explorado, de vender e comprar bens de consumo não essenciais.  Em tempo: lembrando a tradição americana de fraudes eleitorais, como a de Bush em 2000, haverá recontagem de votos na Pensilvânia e no Wisconsin, enquanto a Califórnia pede um “Calexit” dos Estados Unidos.
A surpresa da semana foi a capa da revista Veja, que destacou, mesmo de forma secundária, o envolvimento dos tucanos preferidos de São Paulo em falcatruas.  Apesar da falta de credibilidade do pasquim sionista, talvez valha a pena ler “Como a Odebrecht operava a propina de Serra na Suíça” e “O santo nas planilhas da empreiteira é ele mesmo: Alckmin”.
Com a ascensão da direita no Brasil, nas Américas e no mundo, já é possível notar, por sorte, uma dissenção entre suas diversas correntes. Como disse Haddad, a próxima polarização será da direita com a extrema direita. E, quem diria, uma das maiores defensoras de Dilma, é a pecuarista goiana Kátia Abreu (PMDB, ex-PFL/DEM/PSD), que acertou ao dizer que “receber salário indevido também é corrupção”, sem citar nomes, criticando os supersalários de cerca de 13 mil servidores, marajás que recebem acima do teto, inclusive certos juizecos de primeira instância.

Nenhuma ditadura é conveniente, nem mesmo a ditadura da maioria no chamado mundo livre.  Sob a democracia e o capitalismo, a liberdade é diretamente proporcional ao quanto se tem no bolso ou na conta bancária. Em um mundo imperfeito, é verdade que o cubano não tem liberdade para ser escravo, para comprar o que não precisa, para eleger políticos que escondem dinheiro de propina em paraísos fiscais. Por outro lado, o cubano tem muito mais educação, saúde e segurança do que muita gente em países “democráticos e livres”.  A democracia nos moldes atuais está longe de ser perfeita, assim como o regime cubano, que nasceu de uma revolução e não de uma conciliação.  A exemplo do papa Francisco, segundo o qual a mídia desinforma, calunia e difama, também recebi com tristeza a notícia do falecimento de Fidel Castro.  O momento é de manifestações de pesar e não de ódio, infelizmente observadas nas redes sociais, especialmente de pessoas que desconhecem a História e de cristãos que continuam escolhendo Barrabás em detrimento daqueles que dividiram o pão e multiplicaram os peixes para saciar a muitos.

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