Política e Religião são a mesma coisa



A religião é a crença na existência de um poder superior que governa o mundo, enquanto a política é a arte de governá-lo. Ao longo da História, ambas, política e religião, sempre estiveram associadas.  Não é de hoje que à crença e ao poder há dissensão, divergência e oposição, que sempre resultaram em conflitos, disputas, dissidências, cismas, lutas e guerras.  Isso ocorreu, ocorre e sempre ocorrerá seja qual for a ideologia, a religião, a filosofia ou a política.

Hoje temos um exemplo claro e nítido: a eleição municipal no Rio de Janeiro.

De um lado está o candidato vencedor, Marcelo Crivella, do PRB (Partido Republicano Brasileiro), ex-PMR (Partido Municipalista Renovador) e dissidência do PL (Partido Liberal, hoje PR, Partido da República, do ex-vice-presidente José de Alencar), de centro-direita, conservador e democrata cristão. Crivella foi senador e é bispo licenciado da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus, neopentecostal), cujo fundador é Edir Macedo, dono do Grupo Record (quarto conglomerado de mídia, atrás de Globo, Folha e Abril).  Vale lembrar que os neopentecostais têm os pastores mais ricos do Brasil, segundo a revista Forbes, pela ordem: Edir Macedo, Valdemiro Santiago (dissidente da IURD), Silas Malafaia, R.R.Soares (cunhado de Edir Macedo) e o casal Hernandes da Igreja Renascer, totalizando fortunas maiores que um bilhão e meio de dólares!

Do outro lado está Marcelo Freixo, deputado estadual pelo PSOL-RJ (Partido Socialismo e Liberdade, dissidência do PT, Partido dos Trabalhadores), de esquerda, militante dos direitos humanos que atuou contra o tráfico de armas e as milícias, homenageado por José Padilha ao dirigir “Tropa de Elite2 – O Inimigo Agora É Outro” (2010).

Curiosamente, a mídia (sonegadora, manipuladora e golpista) trabalhou contra a candidatura de Crivella.  A revista Veja, com suas baixarias de sempre, chegou a publicar na capa da edição carioca a foto de Crivella tirada quando este foi preso em 1990 por ter tentado desalojar famílias de um terreno da IURD. E a Globo, como em outros pleitos disputados anteriormente por Crivella, atacou-o diariamente.  Por que será? Uma rápida pesquisa no Google mostra que a socialite dona Lily, viúva de Roberto Marinho, alemã da República de Weimar, nova cristã, católica, que tinha dinheiro na Suíça, se converteu ao espiritismo.  Não é à toa que a Globo produziu 13 novelas abordando o espiritismo entre 1989 e 2015, e tem promovido o roustainguista Chico Xavier, charlatão que apoiou a ditadura militar fascista – veja o vídeo acima.

Vemos então diversos antagonismos: direita e esquerda, Record e Globo, evangélicos pentecostais e espíritas roustainguistas. Dessa vez venceu a direita, a Record e os evangélicos.  É a democracia sob domínio e poder do dinheiro.

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