domingo, outubro 30, 2016

Política e Religião são a mesma coisa



A religião é a crença na existência de um poder superior que governa o mundo, enquanto a política é a arte de governá-lo. Ao longo da História, ambas, política e religião, sempre estiveram associadas.  Não é de hoje que à crença e ao poder há dissensão, divergência e oposição, que sempre resultaram em conflitos, disputas, dissidências, cismas, lutas e guerras.  Isso ocorreu, ocorre e sempre ocorrerá seja qual for a ideologia, a religião, a filosofia ou a política.

Hoje temos um exemplo claro e nítido: a eleição municipal no Rio de Janeiro.

De um lado está o candidato vencedor, Marcelo Crivella, do PRB (Partido Republicano Brasileiro), ex-PMR (Partido Municipalista Renovador) e dissidência do PL (Partido Liberal, hoje PR, Partido da República, do ex-vice-presidente José de Alencar), de centro-direita, conservador e democrata cristão. Crivella foi senador e é bispo licenciado da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus, neopentecostal), cujo fundador é Edir Macedo, dono do Grupo Record (quarto conglomerado de mídia, atrás de Globo, Folha e Abril).  Vale lembrar que os neopentecostais têm os pastores mais ricos do Brasil, segundo a revista Forbes, pela ordem: Edir Macedo, Valdemiro Santiago (dissidente da IURD), Silas Malafaia, R.R.Soares (cunhado de Edir Macedo) e o casal Hernandes da Igreja Renascer, totalizando fortunas maiores que um bilhão e meio de dólares!

Do outro lado está Marcelo Freixo, deputado estadual pelo PSOL-RJ (Partido Socialismo e Liberdade, dissidência do PT, Partido dos Trabalhadores), de esquerda, militante dos direitos humanos que atuou contra o tráfico de armas e as milícias, homenageado por José Padilha ao dirigir “Tropa de Elite2 – O Inimigo Agora É Outro” (2010).

Curiosamente, a mídia (sonegadora, manipuladora e golpista) trabalhou contra a candidatura de Crivella.  A revista Veja, com suas baixarias de sempre, chegou a publicar na capa da edição carioca a foto de Crivella tirada quando este foi preso em 1990 por ter tentado desalojar famílias de um terreno da IURD. E a Globo, como em outros pleitos disputados anteriormente por Crivella, atacou-o diariamente.  Por que será? Uma rápida pesquisa no Google mostra que a socialite dona Lily, viúva de Roberto Marinho, alemã da República de Weimar, nova cristã, católica, que tinha dinheiro na Suíça, se converteu ao espiritismo.  Não é à toa que a Globo produziu 13 novelas abordando o espiritismo entre 1989 e 2015, e tem promovido o roustainguista Chico Xavier, charlatão que apoiou a ditadura militar fascista – veja o vídeo acima.

Vemos então diversos antagonismos: direita e esquerda, Record e Globo, evangélicos pentecostais e espíritas roustainguistas. Dessa vez venceu a direita, a Record e os evangélicos.  É a democracia sob domínio e poder do dinheiro.

domingo, outubro 09, 2016

Chefe, se você espirrar, saúde!



Antigamente era comum a população cultuar os heróis do bem, entre os quais padres e pastores, bombeiros e policiais, “coronéis” e juízes, engenheiros (mas não os trabalhadores no engenho) e médicos. De uns tempos para cá, em plena era da informação, apesar da concentração da mídia nas mãos da Casa Grande, chegamos à conclusão de que não sobra sequer uma categoria que possa receber o título de bom-mocismo. Há canalhas e bandidos em todas as categorias e classes. E não apenas aqui, no Brasil, mas no mundo todo, inclusive no chamado primeiro mundo, para decepção dos vira-latas.
Vamos refletir hoje sobre a máfia das corporações médicas e farmacêuticas.  Não sei quem comete mais crimes contra a saúde pública, se a medicina (inclusive odontologia e farmácia) legal ou o charlatanismo e o curandeirismo (especialmente de evangélicos e kardecistas).

A saúde deveria ser obrigatoriamente pública, gratuita e de qualidade em qualquer lugar do mundo, mas não é.  Por que será? É interessante olhar esse tema sob o ponto de vista da doutora Ghislaine Lanctôt, autora do livro “The Medical Mafia: How to Get Out of it Alive and Take Back Our Health and Wealth”, do qual há versões em inglês e espanhol disponíveis para download na Internet. Outro ponto de vista importante é o de Michael Moore no documentário “SickO: SOS Saúde” sobre o drama vivido por americanos com a questão da saúde.  Daí, entendemos a razão do ataque dos conservadores ao presidente Obama (apesar das contradições do Obamacare) e ao nosso Sistema Único de Saúde, inclusive a gritaria das entidades médicas conservadoras e corporativistas (como AMB e CFM) e das oposições golpistas (como PSDB, DEM, PPS) contra o “Programa Mais Médicos”.

Para entender a máfia médica no Brasil não podemos nos esquecer do caso de tráfico de órgãos comandado por tucanos em Minas Gerais, do escândalo da fertilização in vitro em São Paulo, e da fraude praticada por médicos em pontos eletrônicos e plantões em hospitais públicos.  Cabe verificar também o papel da Justiça e da mídia nestes casos.
Hoje o Correio Braziliense põe em destaque a operação Mister Hyde, que investiga a participação de neurocirurgiões, ortopedistas e cirurgiões buco-maxilo-faciais em máfia que movimentou R$30 milhões.  Por outro lado, o Extra, da manipuladora, sonegadora e golpista Globo, informa que o desgoverno golpista, mesmo desmentindo a toda hora, “vai cortar Programa Farmácia Popular e tirar dinheiro de UPAs e SAMU”.

sábado, outubro 01, 2016

Clevelândia e O Lagosta



Nas últimas duas semanas estive em Cleveland, também conhecida por Clevelândia, que é uma cidade situada no condado de Cuyahoga, Ohio, Estados Unidos, com cerca de 400 mil habitantes e uns 2 milhões na região metropolitana.  Ao redor do centro, denominado Downtown, ficam os bairros pobres e, na periferia e subúrbios, os bairros ricos.  Há muitas obras em andamento e o trânsito é pesado na hora do rush.  Virtualmente todo mundo tem carro. Só há transporte público em Downtown, e na área restante, imprópria para pedestres, é raríssimo ver um taxi.  Há diversas cervejarias, como a Great Lakes Brewing CompanySem saber que a cidade é a campeã em roubo (primeira em burglary e segunda em robbery), segunda em estupro (rape), terceira em incêndio culposo (arson) e sétima em crime violento nos Estados Unidos (16 casos a cada 100 mil habitantes em 2014, o dobro de São Paulo), os vira-latas ficam extasiados com o Rock and Roll Hall of Fame and Museum e os estádios de baseball, futebol americano, basquete e hóquei no gelo em Downtown, além dos “shopping malls” nos subúrbios.  Contudo, em minha percepção, o melhor da região é o Lago Erie e o Parque Nacional do Vale de Cuyahoga, onde nossos coxinhas não costumam ir, talvez porque nestes lugares não haja nada para comprar.

O lago está entre o estado de Ontario (Canadá) e os estados americanos de Ohio, onde está Clevelândia, Pensilvânia e Nova Iorque, onde estão as Cataratas do Niágara, entre as cidades também chamadas Niagara Falls (a americana e a canadense).  As águas do lago Erie vêm do rio Detroit e desembocam ali através do rio Niágara. Embora não sejam tão numerosas quanto as cataratas do Iguaçu, vale a pena conhece-las também.

O parque nacional pode ser acessado pelos subúrbios Independence e Valley View, onde fica o restaurante italiano LockKeepers, um verdadeiro oásis na gastronomia local, entre o histórico canal Erie e o rio Cuyahoga. O nome se refere à guarda das chaves das comportas do canal abastecido pelo rio.
Clevelândia é a cidade natal de Wes Craves, diretor de “A Hora do Pesadelo” (A Nightmare on Elm Street;1984), “Pânico” (Scream; 1996) e “Paris, Te Amo” (Paris, je t’aime; 2006), este último dirigido junto com os irmãos Coen e diversos outros diretores. E, por falar em cinema, finalizo registrando que o melhor da viagem foi a volta, vendo abordo o distópico “O Lagosta” (The Lobster; 2015), do grego Yorgos Lanthimos, que também dirigiu “Dente Canino” (Kynodontas; 2009). Uma dica à classe média ignorante: bons exemplos de ficções distópicas são “1984” do George Orwell e “Admirável Mundo Novo” do Aldous Huxley.  O primeiro virou filme em 1956 (dirigido por Michael Anderson) e em 1984 (dirigido por Michael Radford).  “V de Vingança” (V for Vendetta; 2005) dos irmãos Wachowski, de “Matrix” (The Matrix; 1999), também é outro exemplo.