A pobreza da corrupção

Para aquelas pessoas que reclamam o tempo todo de tudo e de todos, principalmente do país, recomendo gastar menos tempo com a mídia golpista e com as pessoas manipuladas por essa mídia nas redes sociais.  A Internet é uma fonte rica de informação e de contrainformação, mas leva algum tempo aprender a separar nela o trigo do joio, obter dela a informação objetiva e sem viés.
Para quem acha que somos o pior país do mundo, recomendo visitar alguns sites sérios, como o Trading Economics, que contém indicadores interessantes para a comparação dos países.
O site da Transparência Internacional publica anualmente um índice de percepção da corrupção.  Entre os BRICS o Brasil está atrás apenas da África Sul (e, portanto, à frente da Índia, da China e da Rússia), na posição 76 da lista de 167 países.  Na América Latina, estamos atrás apenas de Panamá, El Salvador, Cuba, Costa Rica, Chile e Uruguai.  Essa posição já está afetada pela crise que o Brasil vem sofrendo desde 2014.
O site da OECD, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, afirma que “o Brasil fez progresso impressionante na última década em termos de melhora na qualidade de vida de seus cidadãos”.
Independentemente dos pessimistas, é senso comum de que o Brasil deve subir pelo menos uma posição no ranking das maiores economias do mundo nos próximos 14 anos, como ilustra o gráfico ao lado.
Resta saber se é o país que ficará menos pobre, ou se são as pessoas que ficarão menos pobres. De que adianta ser um país rico cheio de pobres?  A Índia tem 384 milhões de pobres, a China, 84, os Estados Unidos, 49, o Brasil, 44, e o Japão, 20, segundo a própria CIA. Segundo o escritor moçambicano Mia Couto, a maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. De fato, contrariando a direita, um país rico é um país sem pobreza. 
Os últimos golpes que ocorreram no Brasil, inclusive o que está em curso com o afastamento da presidenta honesta e legitimamente eleita, demonstram a insatisfação das elites econômicas com a política nacionalista e inclusiva dos governos trabalhistas (Getúlio, João Goulart, Lula e Dilma).  A agenda dos conservadores traz exatamente a política contrária,  entreguista e excludente, que visa o enriquecimento não do país, mas dos mais ricos em detrimento dos mais pobres.  E são justamente os mais corruptos e os moralistas sem moral que pretendem implementar este golpe da direita.
Ao contrário do que faz acreditar a mídia golpista, a origem da corrupção no país não é exatamente o Executivo e o Legislativo, que estão sujeitos ao escrutínio popular, diferentemente do Judiciário. Como as empreiteiras, muitas empresas formam cartel, combinando preços e superfaturando.  Parte do lucro é investida em campanhas eleitorais e, como não existe almoço de graça, os políticos eleitos se tornam representantes dessas empresas no governo. E no Judiciário há muitos "bandidos de toga", como afirmou em 2011 a então ministra Eliana Calmon, do Conselho Nacional de Justiça.  Para bom entendedor, meia palavra basta.

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