sexta-feira, janeiro 15, 2016

Millôr avisou: a imprensa brasileira sempre foi canalha

Tem gente que imagina estar bem informada ao assinar ou ler a revista Veja; ao assistir, ouvir ou ler qualquer veículo da Rede Globo. 

A Globo sempre mentiu em parceria com a ditadura militar e seus artífices. Em 1981, a Globo chegou a mostrar as granadas que estavam no carro dos militares que promoveram o atentado ao pavilhão Rio Centro, mas voltou atrás e despudoradamente afirmou que eram extintores de incêndio ou tubos de gás lacrimogêneo. De acordo com a CartaMaior, em 1984 "após 20 anos de ditadura, 300 mil brasileiros foram à Praça da Sé pedir eleições diretas e o Jornal Nacional disse que o ato era festa pelo aniversário de SP" - detalhe: sou testemunha ocular desse evento. E, como confessou o ex-número 2 da Globo, o Boni, o debate decisivo nas eleições de 1989 foi mesmo manipulado.  A Globo cometeu fraude fiscal não pagando impostos pela aquisição de direitos de transmissão da Copa de 2002, e não paga uma dívida que supera 600 milhões de reais.  E no ano passado ficamos sabendo que gente da família Marinho tinha conta no HSBC da Suíça, como resultado da abafada Operação Zelotes. 

A revista Veja, que pertence à família Civita e ao grupo Naspers, que apoiou o apartheid na África do Sul, sempre foi porta-voz de interesses escusos, como a "aliança com a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira", conforme o BrasilDeFato.  No ano passado, teve que pedir desculpas ao senador Romário por ter atribuído a ele uma conta na Suíça mediante um documento falsificado.  A lista de picaretagens dessa revista é muito longa.  Então vale a pena contar a história da maior barrigada do jornalismo brasileiro que ela protagonizou: 

Os jornais e revistas ingleses gostam de “descobrir" fatos científicos no dia 1º de abril. A maior revista brasileira “comeu barriga" e entrou na deles. Conheça a história do “boimate, uma nova fronteira científica". 
O “fruto da carne”, derivado da fusão da carne do boi e do tomate, batizado com o sugestivo nome de boimate, constituiu-se, sem dúvida, no mais sensacional ”fato científico” de 1.983, pelo menos para a revista Veja, em sua edição de 27 de abril. Na verdade, trata-se da maior "barriga" (notícia inverídica) da divulgação científica brasileira. 
Tudo começou com uma brincadeira – já tradicional – da revista inglesa New Science que, a propósito do dia 1º de abril, dia da mentira, inventou e fez circular esta matéria. 
A fusão de células vegetais e animais entusiasmou o responsável pela editoria de ciência da Veja que não titubeou em destacar o fato. E fez mais: ilustrou-o com um diagrama e entrevistou um biólogo da USP, para dar a devida repercussão da descoberta. 
Para a revista, “a experiência dos pesquisadores alemães, porém, permite sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate. E abre uma nova fronteira científica". 
O ridículo foi maior porque a revista inglesa deu inúmeras pistas: os biólogos Barry McDonald e William Wimpey tinham esses nomes para lembrar as cadeias internacionais de alimentação McDonald´s e Wimpy´s. A Universidade de Hamburgo, palco do "grande fato", foi citada para que pudesse ser cotejada com "hambúrguer" e assim por diante. Mas nada adiantou. 
A descoberta do engano foi feita pelo jornal Estadão que, após esperar inutilmente pelo desmentido, resolveu “botar a boca no mundo" no dia 26 de junho. 
O espírito gozador e, mais surpreendente às vezes até irado do brasileiro, no entanto, não deixou por menos. Durante o intervalo entre a matéria da Veja e o desmentido do Estadão, cartas e mais cartas chegaram às redações. 
Uma delas que, maliciosamente, assinou “X-Burguer, Phd, Capital", lembrava que no Brasil já haviam sido feitas descobertas semelhantes: o jeribá, cruzamento de jabá com jerimum, ou o goiabeijo, cruzamento de gens de goiaba, cana-de-açúcar e queijo, e adiantava que seus estudos prosseguiam para criação do Porcojão ou Feijoporco, cruzamento de porcos com feijões que ele esperava dar como contribuição à tradicional feijoada paulista. 
Domingos Archangelo escreveu ao Jornal da Tarde uma carta colérica contra a “a violação das leis naturais". Segundo ele, “do alto dos meus 76 anos, não posso ficar calado ante tal afronta às leis divinas. Boi nasceu para pastar, para puxar os saudosos carros do interior e para nos oferecer sua saborosa carne. E tomate, além das notórias qualidades que se lhe imputam na cozinha, serve também para ser arremessado à cabeça de quem perpetra tal monstruosidade e, também, dos dão guarida e incentivam tais descobertas". 
Francisco Luís Ribeiro, outro leitor da Capital, relata outros cruzamentos, além do boimate, que deram certo e cita experiências para “cruzar pombo-correio com papagaio, para o envio de mensagens faladas". 
Finalmente, com o objetivo de pôr fim ao caso que já divertia as redações, a revista publicou, na edição de 6 de julho, ou seja, depois de dois meses, o desmentido: “tratou-se de lastimável equívoco". E justificou-se, explicando que é costume da imprensa inglesa fazer isso no dia 1º de abril e que, desta vez, havia cabido à revista entrar no jogo, exatamente no “seu lado mais desconfortável". 

O texto acima é edição do site Humor na Ciência.

Em resumo: a gente não precisa abater o mensageiro, mas precisa saber se o mensageiro tem credibilidade.  Este não é o caso de Veja e Globo.  Mas, atenção, se você contar isto a um aficionado por este tipo de mídia e a pessoa ficar ofendida e zangada, lembre-se de Provérbios 29: não discuta e, se for preciso, peça desculpas alegando que (você) foi mal informado. O mundo não é perfeito. 

Nenhum comentário:

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...