A origem medieval do trote universitário
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| Trote no Primeiro Mundo |
Em plena era da informação, em que se pode ter
acesso a jornais, revistas e livros do mundo todo na palma da mão, pessoas e
instituições ainda disseminam pedaços de informações falsas propositalmente
(balões de ensaio, hoaxes) ou não (como mulas
de memes, spammers).
Outro dia ouvi dizer que “o trote foi criado pela
ditadura militar para dividir os estudantes”. Essa peça de informação era nova
para mim. Devo ter perdido essa aula, pensei. Que eu saiba, foram
presos, torturados e assassinados covardemente muitos estudantes, operários,
pessoas do campo e da cidade que ousaram resistir à nossa ditadura militar. A
divisão dos estudantes teria sido uma estratégia? Aí me lembrei das palavras de
Groucho Marx: “inteligência militar é uma contradição de termos”, e invocando o
princípio de Heisenberg, não dá para ser militar e inteligente ao mesmo tempo.
A ditadura não teria sido capaz disto, embora tenha recrutado
torturadores entre os militares e os estudantes falangistas de direita que
curtiam os trotes.
Passando dos quartéis para as universidades, é
interessante observar que estas, e principalmente nas cátedras e cursos mais
tradicionais, formaram a nossa elite conservadora e reacionária.
Curiosamente, professores e intelectuais, alguns até com apartamentos em
Paris, pesquisaram até aborígenes em extinção nos confins da pátria, mas não
escreveram nenhuma linha sobre a prática fascista do trote bem debaixo de seus
olhos. Lembro até hoje um diretor do Instituto de Química dando abertura
a uma sessão de trote psicológico na USP. Ao mesmo tempo reitores
tradicionalistas acolhiam o proselitismo da Opus Dei dentro dos campi.
Voltando ao tema da origem do trote, uma simples
pesquisa no Google, de acordo com diversas fontes, revela que o trote
universitário tem origem medieval, em fins do século XIV, época da peste negra
(daí a raspagem da cabeça). Até mesmo aquele hebdomadário fascista do
“antigo” boimate, da recente falsificação de documento para incriminar um
senador, entre tantos outros crimes em nome da liberdade de imprensa e de
expressão, admite: o trote é tão antigo quanto a própria universidade.
Em tempo: o hebdomadário mencionado foi
recentemente lembrado com muito bom humor pelo historiador Leandro
Karnal.


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