Histórias em Quadrinhos

Qual a criança que nunca leu um gibi e não curtiu uma HQ (histórias em quadrinhos)?  Por alguma razão, é difícil achar uma exceção, pelo menos no mundo ocidental e no chamado Primeiro Mundo. 
Costumo dizer que aprendi a ler com duas cartilhas: "Caminho Suave" e "Mickey" (além de Tio Patinhas, Pato Donald, Superman, Batman etc.).  Nada mais normal.  Talvez não seja tão normal adquirir alguns cabelos brancos e continuar lendo e curtindo as obras de Disney, da Marvel etc. Isso aí e Harry Porter não é exatamente literatura para adultos. Dizem que o cérebro humano se mantém adolescente até os 24 anos, mas via de regra é natural que exista um amadurecimento.  Claro que isto não significa deixar de ser young at heart, isto é, deixar de ter espírito jovem mesmo sendo adulto. 
Qualquer meio de comunicação traz uma mensagem que, quando a pessoa não entende, funciona como sugestão.  Quando a mensagem contém propaganda, e a pessoa não percebe, aí é o caso de manipulação subliminar, lavagem cerebral, reeducação.
Histórias em quadrinhos são formas sagradas de manifestações impressas dos sonhos infantis.  A maioria de nós as teve e as amou. Mas elas eram nada mais do que revistinhas impressas, ou tinham um propósito oculto que não parecia tão óbvio naquela época? A Marvel e a DC Comics são provavelmente as editoras mais populares desde o início do século 20.  Elas passaram por tempos de guerra e de paz tendo muita inspiração na infinidade de eventos emocionantes e chocantes daquele século.  Observando os diversos super-heróis, podemos facilmente perceber identidades ocultas que representavam vários lados durante as guerras e conflitos políticos. Ao longo da História, super-heróis participaram de guerras, e de acordo com as histórias em quadrinhos, por vezes, as venceram.  O Capitão América ilustra bem isto; um super-soldado americano que luta contra um agente nazista, o Red Skull.  Considerando que o Capitão América apareceu pela primeira vez em 1941, durante a II Guerra Mundial, pode-se deduzir que como os quadrinhos imitaram os eventos da vida real, eles também representaram ideologias políticas.  A Guerra Fria também foi uma importante fonte de ideias para as histórias em quadrinhos.  Mais uma vez os super-heróis foram enviados para a batalha, mas desta vez a menção ao verdadeiro inimigo, os soviéticos, teria influenciado os resultados no mundo real.  Em vez disso, as guerras entre as nações fantoches de comunistas e de capitalistas foram mostradas, como os “Watchmen” da DC Comics enviados ao Vietnã. Criadores de quadrinhos de sucesso, como Stan Lee, esconderam pensamentos e opiniões em suas criações e influenciaram as mentes de muitos.  Os quadrinhos, por esta razão, poderiam ter sido uma maneira para as crianças se adaptarem ao mundo sombrio e perigoso.  Hoje em dia este papel foi passado à mídia interativa.  Mas os quadrinhos permanecem fortes e populares e até agora eles podem nos manipular secretamente com suas mensagens subliminares e referências ocultas.  O Homem de Ferro é um bom exemplo disso, já que seu recente inimigo era um terrorista árabe, comandado por um americano.  Olhando a natureza das histórias em quadrinhos, podemos facilmente afirmar que é mais do que óbvio por que elas foram escolhidas como um meio de propaganda e para a transmissão de mensagens ocultas.  Elas são fanaticamente lidas por jovens e adultos, infectam nossas mentes e permanecem lá em nossos pensamentos e sonhos. Não apenas têm sido eficientes em divulgar ideologias, mas também têm sido a ferramenta ideal para manipular as mentes de crianças e jovens.
O parágrafo acima é uma tradução livre do texto de Daniel Csáki. A seguir recomendo dois sites e um livro a respeito do assunto.
 
O
 site Cracked publicou um texto interessante sobre seis tentativas (bem-sucedidas) hilárias de se fazer lavagem cerebral em crianças e adolescentes com histórias em quadrinhos: http://www.cracked.com/article/209_6-hilarious-attempts-at-brainwashing-kids-with-comic-books_p2/ 

O
 site Newsbusters publicou um texto conservador sobre como Hollywood usa a TV para fazer lavagem cerebral com nossas crianças (e até adultos com idade mental infantil):  http://www.newsbusters.org/blogs/kathleen-mckinley/2011/06/02/how-hollywood-uses-tv-brainwash-our-children 

E, para completar, este é um clássico polêmico do argentino Ariel Dorfman e do belga Armand Mattelart: "Para leer al Pato Donald", de 1972, não lembro a editora (mas é fácil encontrar na Internet).

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