Golpe paraguaio à vista!

Se você ler hoje os jornalões (Folha, Estadão, O Globo) e as revistas semanais (Veja, IstoÉ, Época, exceto CartaCapital), não é reacionário e não votou no candidato da mídia golpista, então você vai ficar sem esperança e deprimido. O golpe paraguaio vem aí. Desta vez será sem os militares.  Para a direita, trabalhista ou esquerdista não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse.  Se tomar posse, não pode governar. É o que ocorre com Dilma desde que foi reeleita em 26 de outubro de 2014: não pode governar. Neste quase um ano e dois meses houve inúmeros turnos da eleição: o terceiro, o quarto, o quinto etc. Tudo porque certo “playboyzinho de Copacabana e Ipanema está agindo como moleque”, conforme Agnaldo Timóteo, ou seja, a direita não aceitou a quarta derrota seguida (ou a oitava, se considerarmos os dois turnos desde 2002).
Agora que Eduardo Cunha, deputado federal pelo PMDB-RJ e presidente da Câmara, herói dos coxinhas, acatou o pedido de impeachment da presidenta ao saber que não teria apoio do PT na Comissão de Ética, a sorte de Dilma, do país e da democracia está lançada. Se depender do PMDB e do vice-presidente Michel Temer, dias difíceis virão. O PMDB, embora tenha mais governadores (7, assim como sua cria, o PSDB) e a maioria dos prefeitos (quase 20%), nunca elegeu diretamente nenhum presidente.  Mas participou de todos os governos pós-ditadura por ter tido sempre expressiva bancada no Legislativo. Governou o país através de Itamar Franco por dois anos depois do impeachment de Fernando Collor. E talvez governe os próximos três anos através de Michel Temer, “capitão do golpe” e “sócio íntimo de Cunha em tudo que se possa imaginar”, segundo Ciro Gomes.
Enquanto Dilma “espera confiança total de Michel Temer”, muitos fatos indicam que ele não vai apoiá-la.  O pedido de demissão do peemedebista, ex-ministro de FHC, Eliseu Padilha, ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, tem sido considerado uma senha para a retirada definitiva do apoio do PMDB ao governo.  Eventual governo de Temer já tem 100% de apoio do PSDB.
Se as ruas não reagirem, então o golpe paraguaio será só uma questão de tempo. 

Comentários