Feliz 2016!

2015 está terminando.  Este foi o ano em que os cães latiram e a caravana passou.  Para a direita, Dilma não devia ser candidata à presidência.  Candidata, não deveria ser eleita. Eleita não deveria tomar posse.  Empossada, a direita recorreu ao golpismo para impedi-la de governar.  É o que ocorre desde 20h27min de 26 de outubro de 2014.  Os reacionários atribuíram a derrota de seu candidato aos estados do norte e do nordeste, mas o fato é que o tucano perdeu em seu próprio estado, Minas Gerais, e também no Rio de Janeiro, o que foi decisivo para a reeleição de Dilma.  Sem aceitar o resultado das urnas, o PSDB, maior partido de direita do país, chegou a colocar em dúvida a lisura do processo eleitoral e pediu ao TSE a recontagem dos votos.  Manipulada pela mídia uma multidão ensandecida foi para as ruas vestindo o amarelo da corrupta CBF para pedir a volta da ditadura militar, a renúncia e o impeachment da presidenta democraticamente eleita. O “terceiro turno” se estende por mais de um ano e deve se arrastar ainda até outubro, quando haverá eleições municipais. A desculpa dos golpistas é a crise econômica.  De fato, alguns indicadores são preocupantes, como a queda do PIB e as altas taxas de juros e de inflação, nada que se compare à época em que os tucanos desgovernaram o país, no entanto. Mas a causa mais provável do golpismo é que a Polícia Federal e o Ministério Público têm toda a liberdade para investigar a corrupção, o que desagrada à maioria do Congresso, a seus financiadores e aos barões da mídia, elite acostumada a dar gorjetas (em todos os sentidos) e guardar dinheiro em paraísos fiscais.  Essa corrupção correu solta desde a República Populista (1946), a Ditadura Militar (1964) e a Nova República (1985) até o segundo mandato do Farol de Alexandria, FHC, que cruzou os braços em 1996, quando o jornalista Paulo Francis denunciou o que se passava na Petrobras.  No ano seguinte, aliás, FHC e seu genro, David Zylberstajn, fragilizaram os critérios de governança da empresa, dispensando-a das rigorosas licitações.  Pior, agora, despudoradamente, se junta ao rol dos golpistas.

A boa nova é que, apesar desses golpistas e moralistas sem moral, apoiados pela mídia partidária e por uma parcela da classe média, ignorante, hipócrita e preconceituosa, não vai ter golpe – este é o nosso mais sincero voto de Feliz 2016!

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