segunda-feira, outubro 19, 2015

Ética nos negócios e na política

Este foi o título da palestra proferida na semana passada por Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, no 14º Congresso Internacional de Tintas, a ABRAFATI 2015.
O ex-ministro do Supremo frustrou a maioria da plateia, formada por gente branca, conservadora e de classe média que certamente votou no candidato da mídia há um ano.  Digo isso porque essa gente estava ávida para saber o que Joaquim Barbosa pensa de um eventual (e muito desejado por eles) impeachment da presidenta democraticamente eleita.  E ele tirou a esperança deles afirmando que o impeachment é um recurso que se deve usar apenas em último e extremo caso.  Citou que o do Collor justificou-se porque a Casa da Dinda tinha sido totalmente construída com dinheiro da corrupção e que o Caçador de Marajás tivera somente apoio midiático e nenhuma base de sustentação, já que o partidinho dele, PRN, era minúsculo, artificial e sem nenhuma representatividade.  Achei que faltou pouco para que o xingassem de ‘petralha’ quando afirmou que nada há contra Dilma.
Além de sua completa exposição sobre a composição dos poderes na república brasileira, Joaquim Barbosa citou três causas da atual crise política, a saber:
A falta de ‘jogo de cintura’ e diálogo com a sociedade por parte da Presidência.  Ele não citou o nome da presidenta e aí interpretei uma crítica indireta a ela, a única, por sinal.  Claro, isto foi segundo a minha percepção.
A falta de ética da maioria dos políticos, principalmente aqueles que hoje compõem o Congresso.  E frisou que é totalmente contrário ao financiamento privado de campanha eleitoral, mencionando que os políticos já dispõem de uma verba bilionária, que é o Fundo Partidário.  Aí, ficou clara sua reprovação à avidez dos partidos de direita pelo dinheiro do financiamento privado, como é o caso do PSDB.
A falta de informação da maioria da população, inclusive de gente que se acha bem informada por esta mídia que está muito longe de ser isenta.  Também indiretamente ele criticou aquelas pessoas que vão para as ruas, como ratos hipnotizados pelo flautista de Hamelin (a mídia), sem saber o que reivindicar, alguns até pedindo o retorno insensato da ditadura.
Confesso que me surpreendi com a postura relativamente equilibrada do ministro, apesar de ter apontado apenas o Executivo, o Legislativo e a própria população como causas da crise, sem fazer nenhuma crítica ao Judiciário e a seu próprio papel como agente deste. 
Com relação ao setor industrial, um ponto positivo de sua palestra foi afirmar que a indústria não precisa e não deve contar com a ajuda financeira do governo, citando inclusive que este não é o caso da indústria de tintas.
E finalmente a boa notícia é que ele contrariou mais uma vez os coxinhas ao reiterar que não pretende ser candidato à presidência. Mas será que a direita o lançaria realmente como candidato?

Nenhum comentário:

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...