Chile, 11 de setembro de 1973

Caro amigo, 

Hoje faz 42 anos que o governo democrático do presidente Salvador Allende foi derrubado pela oposição de direita, a mídia golpista e a seção conservadora da sociedade chilena.  Infelizmente foi mais um dos golpes contra a democracia na América Latina, que foram recorrentes nas décadas de 60 e 70, com o patrocínio dos ianques. 
Passado tanto tempo, a presidenta socialista Michelle Bachelet luta com aprovação de 22% (e 61% de rejeição) contra a mídia conservadora, da mesma forma que suas colegas Cristina, na Argentina, e Dilma, aqui.  É interessante observar a conspiração reacionária cada vez mais atuante nos governos democráticos e progressistas destas nações, além do Uruguai, da Bolívia, do Equador e da Venezuela.  Há muito dinheiro e interesse alienígena na região.  E entenda-se alienígena por seu real significado: estrangeiro, forasteiro.  Ou, simplificando, gente apátrida, oriunda de paragens exóticas. 
Lembrando Chico, 
"meu caro amigo eu não pretendo provocar 
Nem atiçar suas saudades 
Mas acontece que não posso me furtar 
A lhe contar as novidades 
Aqui na terra 'tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate sol 
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta..." 
Pois é, está difícil abrir um jornal, uma revista, ouvir um noticiário no rádio ou na TV.  Os donos da mídia, acostumados a remeter dinheiro a paraísos fiscais imorais como a Suíça (lembra da Operação Zelotes?), de posse de concessão pública, bombardeiam diuturnamente a opinião do cidadão mais adepto de novelas, futebol, fórmula um, lutas e qualquer esporte que passe na Vênus Platinada e seus clones.  Com as mesmas bandeiras hipócritas de 1964, trabalham intensamente pelo golpe desde o fechamento das urnas em outubro passado.  Ando apreensivo, como Ubaldo, o Paranóico, saudoso como o Henfil.  Assim como no Chile de 1973 e no Brasil de 1964, mais dia, menos dia, deve haver um golpe à moda do Paraguai - dessa vez sem canhões e milicos nas ruas, mas via Judiciário, essa nossa Caixa de Pandora. 
Se isto acontecer, a gente volta a se falar em Santiago - que tal? 
Em tempo: hoje não é data de comemoração. É hora de lembrar: o povo que não recorda o passado está condenado a repeti-lo.

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