sábado, junho 27, 2015

Nem tudo que reluz é ouro

“O Homem Dourado”, 15° episódio da segunda temporada de “Perdidos no Espaço”, traz um alienígena brilhante e reluzente, cavalheiro e bonito, que dá presentes para toda a família Robinson a fim de seduzi-la.  Explica que está ali para combater um inimigo mau e perigoso.  Sensata, Maureen acha que “antes de julgar um, deve-se ouvir o que o outro tem a dizer - há sempre dois lados em cada discussão e com muita frequência a razão está sempre entre os dois”. Penny fica desconfiada e procura o inimigo do homem dourado, que tem a aparência de um réptil. Mas Penny não se importa com sua feiura e tenta fazer amizade com ele. O homem dourado pede ao Dr. Smith que entregue todas as armas para que ele possa vencer o inimigo.  O Robot descobre que o homem dourado pretende destruir tanto o inimigo como a própria família humana, mas é desativado pelo alienígena.  Este arma um campo minado e, convenientemente, se torna o salvador de Judy ao resgata-la da armadilha. Quando a família está prestes a entregar as armas, Penny adverte que acredita na inocência do réptil. Apesar disso, o ambicioso e traiçoeiro doutor sorrateiramente entrega as armas ao homem dourado.  Aí finalmente descobre quem é realmente o “bravo e sincero” homem dourado.
Esta série, embora admirada em minha infância, é conservadora, reacionária e ilustra muito bem o imperialismo ianque da época da guerra fria em que eles pretendiam dominar, além da terra e do espaço (“Terra de Gigantes”), o mar (“Viagem ao Fundo do Mar”) e o tempo (“Túnel do Tempo”), culminando com a fantasia do pouso lunar. Mas este episódio ilustra metaforicamente o que acontece agora em nosso país.  Basta que se compare a família Robinson ao povo manipulado pela mídia, especialmente a classe média ignorante, hipócrita e preconceituosa.  O homem dourado seduz e trapaceia como a direita.  E o mostrengo é a imagem que a mídia golpista faz de nossa esquerda que envelheceu e vê a juventude sendo cada vez mais engolida pela direita.

domingo, junho 21, 2015

O melhor da semana



O rolezinho dos nossos senadores de direita Aécio Neves (PSDB), Aloysio Nunes (PSDB), Ronaldo Caiado (DEM), Agripino Maia (DEM), Cássio Cunha Lima (PSDB) e Sérgio Petecão (PSD) em Caracas na quinta-feira tinha tudo para ser o fato mais risível da semana.  Mas na sexta-feira o jornalista Ricardo Boechat, em seu programa de rádio na Band News FM, perdeu a cabeça ao mandar Silas Malafaia, o terceiro pastor evangélico mais rico do Brasil, "ir procurar uma rola".
O factóide de Caracas serviu para dar protagonismo ao senador derrotado e isolado dentro do próprio partido.  Sem ter o que fazer no Senado, os seis senadores conservadores foram, num jato da FAB, tentar visitar o golpista Leopoldo López.  Mas, aproveitando-se de um engarrafamento, manifestantes cercaram a van dos reacionários, impedindo-os de prosseguir.  Temerosos, voltaram para o aeroporto, afirmando que teriam sido agredidos.  Foi o bastante para municiar a nossa mídia golpista - Globo, Abril, Folha, Estado, IstoÉ, SBT, Jovem Pan AM etc.
Por outro lado, o Boechat tem razão quando ressaltou que há pastores evangélicos pilantras, exploradores da fé alheia, homofóbicos e charlatães que, em nome de Deus, tomam dinheiro de fiéis.


domingo, junho 14, 2015

O Mundo de Apu

Apu é um ex-aluno desempregado que sonha em se tornar um escritor.  Um antigo amigo dos tempos de faculdade lhe promete um emprego.  Apu não aceita o emprego de imediato, mas aceita um convite para ir a um casamento na família do amigo, em uma aldeia do interior do país.  Isso muda a sua vida, já que descobrem que o noivo é louco e a família da noiva desiste do casamento.  Para resolver a situação, o amigo propõe que Apu tome o lugar do noivo.  Depois de uma recusa inicial, Apu pensa um pouco e, com pena da noiva, resolve aceitar desde que o amigo também lhe arrume aquele emprego prometido.  Apu leva a noiva, acostumada a certo luxo, para seu humilde apartamento em Calcutá.
Bem, não vou contar todo o filme.  O que posso contar é que impressiona a singeleza do cinema de Satyajit Ray.  Ele influenciou grandes diretores, como Martin Scorsese e Wes Anderson. O genial diretor japonês Akira Kurosawa tinha toda razão quando disse que “não ver o cinema de Ray significa existir no mundo sem ver o sol ou a lua”.  O cinema de Ray é literatura, poesia.  Com todo respeito, se você for daqueles que têm déficit de atenção e cultura, comuns aos consumidores de blockbusters, faça um favor a si mesmo e ao Cinema: não assista à Trilogia de Apu: Pather Panchali (“A Canção da Estrada”, 1955), Aparajito (“O Invencível”, 1956) e Apur Sansar (“O Mundo de Apu”, 1959).