segunda-feira, abril 20, 2015

A Onda Conservadora

Segundo o médico e professor Daniel Siegel, da UCLA, a remodelação do cérebro é a causa do comportamento impulsivo e rebelde da juventude, e mudanças são necessárias para que se continue jovem e saudável.  Imagino que o amadurecimento seja também uma mudança necessária, e muito.  Todo mundo deve conhecer alguém que se mantém criança a vida toda, no bom e no mau sentido.  E não é difícil encontrar jovens “envelhecidos”, que agem “como nossos pais”.
Em 2008 o alemão Dennis Gansel dirigiu o filme “A Onda” (die Welle), com roteiro de Johnny Dawkins, roteirista também de outro filme com o mesmo nome (The Wave, Alex Grasshof, 1981).  Em 2011, David Jeffery dirigiu o documentário Lesson Plan sobre o mesmo tema. Todos se baseiam na obra de Ron Jones, sobre uma história real.
O professor colegial Rainer Wenger (Jürgen Vogel) faz um experimento para demonstrar como é a vida sob uma autocracia, definida por um de seus alunos como a forma de governo em que um indivíduo ou um grupo concentra poder suficiente para dominar o Legislativo. Vale a pena refletir um pouco sobre suas causas, princípios, características e símbolos:
  • Descontentamento frente a problemas sociais verdadeiros ou destacados pela mídia, como injustiça, corrupção, desemprego, inflação.
  • Indiferença à política, despolitização, analfabetismo político. Depois do rock ‘n’ roll alienado no começo do filme, vemos o seguinte diálogo entre jovens de classe média: “Contra o que se deve revoltar hoje em dia? Hoje nada tem mais importância, certo? Todos já têm com o que se distrair, divertir. O que falta à nossa geração é um objetivo comum, que nos una a todos. Este é o espírito da época. Olhe em volta de você. A pessoa mais procurada no Google é quem? A p... da Paris Hilton”.
  • Ideologia, seja filosófica, religiosa ou política, levada ao extremo.
  • Espírito de comunidade, união, grupo, seita, nacionalismo extremado.
  • Hierarquia, supervisão, liderança.
  • Respeito, culto, disciplina.
  • Ação, reação, participação, movimento, marcha.
  • Uniformização, estilo, grife e marca de roupas, acessórios, utensílios, equipamentos.
  • Identificação, autodenominação, bandeira, brasão, insígnia, selo, hino, grito de guerra, postura, gesticulação, saudação, senha, tatuagem, adesivo, graffiti, perfil em redes sociais, site, homepage.
Hoje há uma discussão sobre se estamos vivendo sob uma onda conservadora ou não.  Se considerarmos o avanço da porcentagem de votos nulos, em branco e abstenções, então não podemos concluir que existe necessariamente uma onda conservadora, mas um descrédito crescente na Política como forma de aprimoramento da sociedade e, portanto, um envolvimento cada vez menor, especialmente dos jovens.  Por outro lado, vemos “estarrecidamente” o crescimento da presença da direita, tanto nas eleições proporcionais como nas majoritárias.  É o caso das bancadas conservadoras no Legislativo.  E da eleição de reacionários, principalmente nos estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.  São Paulo deu mais votos ao candidato playboy, elegeu o vampiro da bolinha de papel, reelegeu no primeiro turno o servo da Opus Dei, elegeu deputado estadual certo coronel evangélico e deputado federal certo pastor evangélico.  E o Rio de Janeiro elegeu deputado federal um reservista adepto da violência, da tortura, do machismo, do racismo, da homofobia. É preciso dar nome aos bois?
É muito perigoso quando se tenta fazer política com filosofia e com religião, sem partidos políticos como sugeriram as manifestações de vandalismo em 2013, ou como a reedição da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” promovida pela classe média branca que elegeu o Congresso mais conservador da história do país e que não conseguiu eleger o candidato da mídia.   Essa mídia, cujos capi sonegam e lavam dinheiro em paraísos fiscais, teme a suspensão da verba publicitária estatal.  Por isso manipula e promove o golpismo.  Para ela, lembrando o que disse uma vez Lyndon Johnson, presidente americano que nos anos 60 enviava jovens para morrer no Vietnã e negava direito de voto aos negros, se numa manhã a Dilma andasse sobre as águas então manchetes à tarde e à noite seriam: “a presidente não sabe nadar”.  Claro que manchetes assim no dia seguinte serviriam apenas para se forrar gaiolas, como fazemos com certos jornais que mentem ao afirmar que são isentos, independentes, plurais e apartidários, mesmo tendo apoiado logisticamente a ditadura militar fascista que os milicos chamam de “revolução de 31 de março 1964”, acontecida em primeiro de abril, dia da mentira, daquele ano.
Veja, com o perdão da palavra, a versão de “A Onda” em espanhol no YouTube.

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