Leitura de domingo

Os jornalões estão sem assunto hoje. Parecem desanimados.   A Folha mostra que Dilma está na frente entre os excluídos e na classe média baixa e na intermediária, que representam 72% do eleitorado.  Na classe média alta, 20% do eleitorado, Dilma fica 8 pontos atrás de Marina.  E na classe alta, 7% do eleitorado, Dilma está atrás dos dois candidatos da direita, Marina e Aécio. Segundo a colunista Mônica Bergamo, Marina e Aécio dividem o tradicional reduto tucano do high society de SP. A disputa mais acirrada está justamente na classe média intermediária, em que a diferença é de apenas 2 pontos a favor de Dilma.  Parece que as pessoas, à medida que ficam menos pobres, passam a preferir os candidatos dos ricos e conservadores.  O fato notável é a distorção que houve na antiga pirâmide das classes sociais: o grupo dos excluídos diminuiu, a classe média baixa praticamente caiu pela metade enquanto a classe média intermediária praticamente dobrou, graças aos 12 anos do governo trabalhista de Lula e Dilma.  Esse é o dado concreto.  O resto é pó e blábláblá, se me entende.
O Estadão mostra que o doleiro Alberto Youssef, preso pela PF na Operação Lava Jato, é reincidente em esquemas de lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas desde o primeiro mandato de FHC e durante seu segundo mandato comprado.  Naquela época estava envolvido o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, além de Celso Pitta e Samuel Klein (dono das Casas Bahia).
O Globo também destaca Youssef, que teria enviado R$ 1 bi ao exterior, e mostra que PF e MP, mirando instituições que não coibiram fraudes, investigarão os bancos que fizeram vista grossa a transações feitas pelo doleiro.
Entre as revistas, o folhetim fascista estampa as armas dos candidatos nesta reta final, atribuindo emoção a Marina e racionalidade a Aécio.  Parece que o truque de inflar Marina não deu certo, e a direita volta a apostar em seu plano A, o tucano que diz saber transformar sonho em realidade – não o fez como governador em Minas, mas promete fazer como presidente.
IstoÉ, numa guinada à direita, acompanha o panfleto da Abril, entrando na “onda da razão” ao acreditar que a escolha racional (Aécio) prevalecerá sobre o voto da emoção (Marina).  E afirma que há clima tenso e desespero no Planalto, que adota a tática do medo sob a expectativa de eventual derrota no segundo turno. Na capa, envolve o governador Cid Gomes e o delator Paulo Roberto Costa.  Na IstoÉ Dinheiro, critica a falta de credibilidade do Banco Central com Alexandre Tombini.
A Época, imprensa rosa, põe Tiririca na capa, questionando se o povo sabe votar e chamando de piada o voto popular.  Além disso, ‘mostra’ como o PT seduz blogueiros e dissemina ataques na campanha digital.
A CartaCapital salva a semana ao perguntar por que existe o ódio ao PT e ao destacar que Danilo Gentili é mais que um rematado idiota, é um covarde, citando Roger, Hitler e a Ku Klux Klan. 
O destaque da semana fica para a trapalhada do IBGE e a PNAD com seus erros graves sobre desigualdade de renda, índice de analfabetismo e população desocupada, que chegou a animar a oposição que torce contra o país.  Mas o melhor de tudo foi o candidato ao governo do Rio, Garotinho, pedindo o DARF da Globo, em entrevista ao vivo na própria Globo! Lembrou o melhor momento da história da TV brasileira.
O blog da vez é o tendenciosíssimo Conversa Afiada, do PHA, o sempre bem humorado Paulo Henrique Amorim.

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