As redes sociais e as pessoas

O Facebook, como o Orkut, reúne familiares, parentes, amigos, colegas e conhecidos, da escola, do trabalho, da igreja, do bar, do clube, do time, do condomínio, do sindicato, do partido etc. Como no dia a dia, a maioria dessas pessoas curte, comenta e compartilha amenidades sobre pessoas e acontecimentos, de forma superficial, e raríssimamente ideias. Mas é um meio interessante de se conhecer melhor as pessoas através daquilo que elas escolhem curtir, comentar e compartilhar.  A má notícia é que mesmo pessoas formalmente educadas demonstram preocupante falta de cultura, educação, e civilidade.  Veem-se apenas formas e aparências, mas pouco ou nenhum conteúdo.  Como diziam meus avós: por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento.  No interior dessas pessoas há apenas um vazio, ou talvez um senso comum, vulgar, oriundo de bate-papos, fofocas, boatos, spams, e da mídia que, literalmente, faz a cabeça das pessoas com publicidade e propaganda de toda sorte.  Fazendo referência a Gibran Khalil Gibran, em “O Profeta”, poderíamos dizer que as nossas escolhas e ideias não são nossas, elas vêm através de nós, mas não de nós; embora vivam conosco, não nos pertencem.  As pessoas que não têm senso crítico simplesmente aceitam e reproduzem determinadas ideias, assim como aqueles que mal leem o spam que recebem e já o encaminham a todos, sem refletir sequer um segundo sobre seu conteúdo, sua origem, seu significado e seu propósito.  São os zumbis, walking dead, vaquinhas de presépio, Marias vão com as outras, alienados, manipulados, feitos gado no curral e massa de manobra.  No entanto, com frequência essas pessoas, como se diz popularmente, “se acham e não perdem uma oportunidade para aparecer e causar”, isto é, têm elevada autoestima e adoram a berlinda, os holofotes e os quinze minutos de fama.  Falta-lhes a percepção da inconveniência.  Decididamente, não acreditam que “é melhor calar e deixar que os outros pensem que você é um idiota do que falar e acabar com toda a dúvida”.  Não sei por que se atribui essa frase a Abraham Lincoln, quando sua origem está nos Provérbios de Salomão.
 
A maioria das pessoas que conheço do Facebook é alienada, desinformada ou mal informada.  Não cito nomes, mas o exemplo que mais me chamou a atenção foi o de uma pessoa jovem que em 2010 me disse que não ia votar na Dilma para presidente porque ela teria sido terrorista, mas votou no motorista e guarda-costas do Marighella para senador (o vira-casaca Aloysio Nunes).  Este, sem dúvida, é o melhor, ou pior, exemplo de ignorância, para não falar de hipocrisia e cinismo.  Aquela pessoa sabe de cor a escalação de seu time preferido, está “por dentro” da vida de todas as celebridades, acompanha todas as novelas, reality-shows, programas humorísticos e esportivos na “melhor” emissora.  Adora TV, e detesta livros.
O Twitter, por outro lado, além de nos propiciar informação em tempo real, facilita a interação com pessoas virtualmente inacessíveis por outros meios e que frequentemente têm para compartilhar ideias baseadas em real conhecimento filosófico, político ou religioso.

O Facebook e o Twitter são ferramentas estratégicas de comunicação que nos propiciam liberdade de expressão e independência da mídia dominante. 

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