As manifestações Brasil afora e o ovo da serpente

Tudo começou quando estado e prefeitura resolveram aumentar as passagens do transporte público em R$ 0,20.   A moçada do Movimento Passe Livre saiu às ruas para protestar.  A mídia golpista criticou e comparou a manifestação às ações do PCC, sugerindo ao governo do estado a repressão brutal, típica da “jestão” demotucana.  Depois, Jabor confessou cinicamente ser um “lacaio da direita fascista”.   Nesse momento a direita entendeu que devia pegar carona nas manifestações legítimas do MPL e incluir sua agenda conservadora através dos “coxinhas” que vivem conectados às redes sociais.  A direita tem certeza de que, pelas vias normais, isto é, pelo voto popular e democrático, vai perder as eleições no ano que vem.  E avalia corretamente que sua única chance seria pela instauração do caos e consequente comoção popular.  Seria então a reprise de 1964, cinquenta anos depois.  Com a revogação do aumento, os jovens resolveram comemorar a vitória e sair das ruas em seguida, continuando a luta da Tarifa Zero por vias democráticas.  Essa é uma ação de inclusão social que não interessa à direita.  Os infiltrados insistem em continuar as manifestações com uma pauta no estilo “contra tudo e contra todos”, em que se veem propostas de cassar mandatos, extinguir partidos, impedir a votação da PEC 37 e uma série de reivindicações desconexas.  Ao final das passeatas, marginais de toda espécie, incluindo aquele animal que depredou a prefeitura em São Paulo, partem para a violência, o vandalismo, a destruição do patrimônio público e privado, além dos saques.  É o caos que a direita precisa.
O próximo passo será exigir uma ação preventiva e corretiva mais aguda, para em seguida propor a troca da liberdade pela segurança – a exemplo do presidente americano, que prometeu fechar Guantánamo, mas prefere usar drones para assassinar inimigos e quem estiver por perto, além de instaurar uma vigilância na internet nos moldes do Big Brother de George Orwell.  Agora uma versão da Ku Klux Klan faz a cabeça vazia de milhares de vaquinhas de presépio, zumbis, walking dead, marias-vão-com-as-outras, massa de manobra da direita nazifascista.  Tudo isso em plena Copa das Confederações, para envergonhar o país e arranhar a popularidade da presidenta.  Parte desse objetivo já foi alcançada: diminui a aprovação da Dilma e pode haver dificuldade para sua vitória já no primeiro turno das eleições de 2014, situação em que a direita jogaria todas as suas fichas no segundo turno, apelando para todas as baixarias possíveis e inimagináveis, a exemplo da campanha do Zé Chirico Çerra em 2010.
Quem conhece a História sabe o significado desse momento, que é de preocupação, apreensão.  Nós, verdadeiros democratas, devemos evitar que este ovo da serpente seja chocado.   Não queremos ditadura nenhuma.  Nunca mais. 

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