quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Django Livre

“Django Livre” (Django Unchained, 2012) é o oitavo filme de longa metragem de Tarantino, como único diretor.  Não é seu melhor filme, que em minha opinião é Pulp Fiction (1994) e Kill Bill (volumes 1 e 2, 2003-2004), mas é ótimo, acima da média do atual cinema americano.  O nome se refere a um escravo (Jamie Foxx) cuja obsessão é reencontrar a esposa Broomhilda von Schaft (Kerry Washington), escrava que sabia falar alemão.  Por acaso, ele é comprado por um caçador de recompensas, o alemão Dr. King Schultz (o praticamente perfeito ator Christoph Waltz).  O doutor, que detesta a escravidão, faz um trato com Django: libertá-lo caso este o ajude a encontrar três foragidos com cabeça a prêmio.  Cumpre o trato e propõe que ganhem algum dinheiro juntos, atuando como caçadores de recompensa para em seguida encontrar e comprar a liberdade da moça.  Tudo se complica porque ela, ainda escrava, agora vive na fazenda Candilândia, propriedade do cruel Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).  O filme lembra “Django”, dirigido por Sergio Corbucci em 1966 e estrelado por Franco Nero, que faz uma ponta no filme do Tarantino, homenageando o “western spaghetti” de Sergio Leone e outros.  Também faz referência ao cinema blaxploitation.  Como sempre, Tarantino faz diversas referências ao longo de todos seus filmes.
Há diversas críticas e resenhas desse filme.  Portanto, não quero aqui fazer mais uma.  Destaco apenas algumas observações.
·         A cena em que o fazendeiro, empregador dos três foragidos mortos por Django e Schultz, persegue os dois nos moldes da Ku Klux Klan é hilária, e faz do filme uma crítica ao racismo (e não o contrário, como disse Spike Lee).

·         É muito interessante a tentativa do fazendeiro Calvin de explicar por que o negro é inferior com base na frenologia.  A gente lembra na hora do espiritismo de Allan Kardec – ver http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1862/04a-frenologia.html.  E também do Serra – ver http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/10/serra-quer-usar-frenologia-para.html.

·         O escravo Stephen (Samuel L. Jackson) me faz lembrar muita gente que tem vergonha da própria origem, submete-se a um processo de completa aculturação, e torna-se uma espécie de traidor, quinta-coluna, pelego e lambe-botas do sinhozinho branco de olhos azuis.

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