Liberdade de expressão e atentado à fé alheia

Não é novidade alguma que Hollywood é instrumento de colonialismo cultural a serviço do imperialismo ianque. E também não é novidade a vilificação que Hollywood faz dos árabes e dos muçulmanos de qualquer etnia, como demonstra o Dr. Jack Shaheen no documentário de 50 minutos "Filmes Ruins, Árabes Malvados: Como Hollywood Vilificou um Povo" (Reel Bad Arabs: How Hollywood Vilifies a People, 2006), que pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=DmVoSZk_fvo
O cinema americano tem-se prestado ao papel de propaganda difamatória de diversos outros povos ao longo de sua história, como os hispânicos e latino-americanos, especialmente os mexicanos, os alemães, os japoneses etc.
Há dois dias o filme "Inocência dos Muçulmanos"(Innocence of Muslims) provocou uma revolta de muçulmanos radicais que culminou com o assassinato do embaixador Christopher Stevens e mais três funcionários do consulado americano em Benghazi, na Líbia. O filme satiriza Maomé e ridiculariza a fé islãmica. Seu autor e diretor foi identificado inicialmente como sendo Sam Bacile, israelense-americano que considerava o Islã um "câncer" e que arrecadou dinheiro de doadores judeus para gravar seu filminho B, ainda disponível no YouTube. Depois veio a notícia de que seria um produtor chamado Nakoula, cristão copta (egípcio). Seja lá quem for, judeu ou cristão, o irresponsável está desaparecido, talvez protegido pela polícia americana. Enquanto isso os protestos se alastram por diversos países islâmicos e o número de mortos já dobrou: até este momento se tem notícia de oito mortes.
Uma das pessoas que comentam o filme, no YouTube, lembrou da seguinte frase do físico Steven Weinberg: "A religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem religião, você teria pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas más fazendo coisas más. Mas para pessoas boas fazerem coisas más, aí é preciso religião". Perfeito. Lembra-me o escritor português José Saramago, a quem perguntaram: "Como podem homens sem Deus, serem bons?". E ele respondeu: "Como podem homens com Deus, serem tão maus?"
Mas, num momento em que o governo sionista de Israel ameaça atacar o Irã, porque só os "eleitos" podem ter armas de destruição em massa e promover genocídios como Hiroshima e Nagasaki, há esperança no mundo quando vemos este tipo de manifestação: "Nós te amamos - Irã e Israel".

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