segunda-feira, novembro 07, 2011

O Sétimo Selo

Finalmente consegui ver “O Sétimo Selo” (Det sjunde inseglet, 1957), filme neo-expressionista escrito e dirigido pelo genial Ingmar Bergman. Numa certa referência a Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro Antonius Block (Max von Sydow), ao voltar das Cruzadas, em companhia de seu escudeiro Jöns (Gunnar Björnstrand), encontra seu país devastado pela Peste Negra (bubônica). É o final da Idade Média, com a decadência do feudalismo, quando estão presentes todos os fatores simbolizados pelos Quatro Cavaleiros da Revelação (Apocalipse): guerra, peste, fome e morte. O título do filme faz referência ao último dos sete selos, cuja abertura é seguida pelo soar das sete trombetas dos sete anjos e pelo Juízo Final. Nesse contexto, o cavaleiro inicia uma partida de xadrez com o Ceifador (a Morte) para procurar respostas sobre a vida, a morte e a existência de Deus e do Diabo; e também ganhar tempo e salvar a vida de seu escudeiro e uma família de artistas mambembes (um casal e seu bebê, que talvez simbolizem a “sagrada família”). Há diversas interpretações sobre essa obra-prima, e destaco sua crítica à Igreja. O “santo” papa Inocêncio III, através do tribunal religioso da Santa Inquisição, que acusava, julgava, condenava e punia, ordenou perseguição, tortura e morte na fogueira aos hereges, bruxos e seguidores de outros credos. Uma das cenas marcantes remetem à belíssima crônica “A Paixão de Joana d'Arc” (La passion de Jeanne d'Arc, 1928), escrita e dirigida pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Estes são filmes que devem ser vistos e revistos diversas vezes por quem procura algo mais do que entretenimento no cinema, como reflexão e aprendizado.

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