domingo, novembro 20, 2011

Vampyr

Outro dia falei sobre a Lone Scherfig e alguns de seus melhores filmes. Ontem vi "O Vampiro" (Vampyr - Der Traum des Allan Grey), dirigido em 1932 por outro dinamarquês, Carl Theodor Dreyer. Para quem gosta de cinema, e refiro-me a cinema de verdade e não aos modernos blockbusters, esse é um filme imperdível, principalmente em se tratando de filmes de terror e vampiros. Veja a sinopse no sítio da ótima The Criterion Collection. Contemporâneo do alemão F.W. Murnau (de "Nosferatu, uma Sinfonia do Horror") e do austríaco Fritz Lang (de "M, o Vampiro de Dusseldorf"), Dreyer filmou entre 1919 e 1964. Seu cinema é quase um tratado sobre a psicologia humana, que mostra de forma lenta e detalhada pessoas sofrendo crises pessoais e religiosas. Outras jóias da cinematografia de Dreyer:
  • A Paixão de Joana d'Arc (1928)
  • Dias de Ira (1943)
  • A Palavra (1955)
Claro que você não vai achar facilmente esse filme para alugar ou comprar, mas a boa notícia é que ele pode baixado do Internet Archive, além do óbvio YouTube:

segunda-feira, novembro 07, 2011

O Sétimo Selo

Finalmente consegui ver “O Sétimo Selo” (Det sjunde inseglet, 1957), filme neo-expressionista escrito e dirigido pelo genial Ingmar Bergman. Numa certa referência a Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro Antonius Block (Max von Sydow), ao voltar das Cruzadas, em companhia de seu escudeiro Jöns (Gunnar Björnstrand), encontra seu país devastado pela Peste Negra (bubônica). É o final da Idade Média, com a decadência do feudalismo, quando estão presentes todos os fatores simbolizados pelos Quatro Cavaleiros da Revelação (Apocalipse): guerra, peste, fome e morte. O título do filme faz referência ao último dos sete selos, cuja abertura é seguida pelo soar das sete trombetas dos sete anjos e pelo Juízo Final. Nesse contexto, o cavaleiro inicia uma partida de xadrez com o Ceifador (a Morte) para procurar respostas sobre a vida, a morte e a existência de Deus e do Diabo; e também ganhar tempo e salvar a vida de seu escudeiro e uma família de artistas mambembes (um casal e seu bebê, que talvez simbolizem a “sagrada família”). Há diversas interpretações sobre essa obra-prima, e destaco sua crítica à Igreja. O “santo” papa Inocêncio III, através do tribunal religioso da Santa Inquisição, que acusava, julgava, condenava e punia, ordenou perseguição, tortura e morte na fogueira aos hereges, bruxos e seguidores de outros credos. Uma das cenas marcantes remetem à belíssima crônica “A Paixão de Joana d'Arc” (La passion de Jeanne d'Arc, 1928), escrita e dirigida pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Estes são filmes que devem ser vistos e revistos diversas vezes por quem procura algo mais do que entretenimento no cinema, como reflexão e aprendizado.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Jogos Pan Americanos

Este ano em Guadalajara nós tivemos a melhor participação fora de casa na história do Pan, ficando em terceiro lugar, atrás de Estados Unidos e Cuba, com 141 medalhas (48 de ouro, 35 de prata e 58 de bronze). No total acumulado de medalhas desde 1951, alcançamos o número de 1067 medalhas, superando a Argentina e passando ao quarto lugar, atrás de Estados Unidos, Cuba e Canadá. A seguir, veja o quadro geral de medalhas atualizado para o Brasil:

Ano Sede Ranking Ouro Prata Bronze Total
1951 Buenos Aires 5 5 15 12 32
1955 México 7 2 3 12 17
1959 Chicago 3 8 8 6 22
1963 São Paulo 2 14 20 18 52
1967 Winnipeg 3 11 10 5 26
1971 Cali 4 9 7 14 30
1975 México 5 8 13 23 44
1979 San Juan 5 9 13 17 39
1983 Caracas 4 14 20 23 57
1987 Indianápolis 4 14 14 33 61
1991 Havana 4 21 21 37 79
1995 Mar Del Plata 6 18 27 37 82
1999 Winnipeg 4 25 32 44 101
2003 Santo Domingo 4 29 40 54 123
2007 Rio de Janeiro 3 54 40 67 161
2011 Guadalajara 3 48 35 58 141

Se olharmos com atenção esses números, notaremos algumas curiosidades que menciono em seguida.
A ditadura militar, em 5 edições do Pan (1967-1983) conquistou 196 medalhas (51 de ouro, 63 de prata, 82 de bronze), 13 a mais do que o governo FHC (43 de ouro, 59 de prata, 81 de bronze) em 1995 e 1999. Por outro lado, na gestão de Lula (83 de ouro, 80 de prata, 121 de bronze), foram conquistadas 88 medalhas a mais que a ditadura e 101 medalhas a mais que o governo FHC. Outra curiosidade: Os governos Lula e Dilma são responsáveis por 40% de todas as medalhas conquistadas pelo Brasil até hoje, sendo 39% das de bronze, 36% das de prata e 45% das de ouro! E, para desespero dos reacionários, todo esse sucesso foi obtido sob a gestão do PCdoB no comando do Ministério do Esporte, tão combatido atualmente pela direita e pela mídia golpista.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...